Título: JURO FAZ DÍVIDA SUBIR R$127 BI NO ANO
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Fonte: O Globo, 24/11/2005, Economia, p. 24

Débito federal aumentou para R$937,3 bi em outubro, mas perfil melhorou

BRASÍLIA. A dívida mobiliária federal interna (em títulos públicos) fechou outubro em R$937,3 bilhões, o que representa crescimento de 0,4%, ou R$4,12 bilhões, sobre setembro. De novo, os juros foram os responsáveis pela alta, que poderia ser ainda maior se o governo não tivesse feito um resgate líquido de R$6,9 bilhões no período.

Os juros da dívida pública estão no centro da disputa entre a equipe econômica e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Enquanto os ministérios da Fazenda e do Planejamento defendem que o governo faça uma grande economia de recursos para pagar esses juros ¿ conhecida como superávit primário ¿ Dilma quer mais gastos, sobretudo em investimentos públicos.

Só em 2005, a dívida pública aumentou R$127 bilhões. Mas, apesar disso, o governo tem conseguido melhorar seu perfil. A parcela do endividamento vinculada ao dólar era de 9,88% do total em dezembro de 2004, mas ficou em 3,78% em outubro.

Coordenador diz que crise não afetou leilões da dívida

Entre setembro e outubro, a dívida cambial recuou de R$35,61 bilhões (3,82% do estoque) para R$35,46 bilhões. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Fazenda, a queda ¿ de R$150 milhões ¿ ocorreu devido a um resgate líquido feito pelo governo. Já a fatia dos títulos prefixados na dívida caiu de 25,8% para 24,5%, de um mês para o outro, com um resgate líquido de R$13,9 bilhões.

O coordenador-adjunto da Dívida Pública, Ronnie Tavares, disse que, apesar de a estratégia do governo ser elevar o peso dos prefixados no débito, a queda de outubro foi sazonal. Os primeiros meses de cada trimestre costumam ter grande volume de vencimentos desse tipo de título, obrigando o governo a fazer resgates elevados.

A parcela da dívida indexada à Taxa Selic (que é mais volátil), por sua vez, aumentou de 54,3% para 55,6% no mês passado. Neste caso, houve emissão líquida de R$10,3 bilhões, que também costuma ocorrer em meses que iniciam trimestres.

Tavares disse que a crise política não teve reflexos nos leilões de títulos feitos pelo Tesouro Nacional. Segundo ele, em outubro o governo fez cinco leilões, sendo que só em um deles não foi possível vender todos os papéis ofertados.

Já o prazo médio das emissões de títulos foi de 29,9 meses em outubro, acima dos 27,5 meses de setembro. Mesmo com o alongamento, a parcela da dívida que vence a curto prazo (até 12 meses) subiu de 41% para 41,7% do estoque. (Martha Beck)