Título: FURLAN: EXPORTAÇÃO VAI SUPERAR META DE US$117 BI
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Fonte: O Globo, 24/11/2005, Economia, p. 25

Ministro diz que vendas externas cresceram 22% no ano. Setor quer mudar legislação cambial, que considera ultrapassada

As exportações vão ultrapassar os US$117 bilhões previstos para este ano, anunciou ontem Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, na abertura 25º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) no Rio. Nos últimos 12 meses, até o último dia 20 de novembro, as vendas externas já atingiram US$115 bilhões.

O ministro afirmou que as exportações são uma prioridade do governo Lula e que os resultados das vendas externas mostram isso:

¿ Vivem dizendo que o Brasil surfou na onda, que o crescimento das exportações está sustentado na expansão mundial e, principalmente, da China. Mas, enquanto nossas vendas externas totais cresceram 22% este ano, para a China a alta foi de 5%.

Ele afirmou que o Brasil exporta para mais de cem países e fez piada com o Aerolula:

¿ O custo do Aerolula representa uma hora de exportação brasileira. Cada viagem traz negócios de US$200 milhões, US$300 milhões.

Segundo o ministro, as exportações brasileiras cresceram duas vezes o comércio mundial. Ele citou os 550 eventos de promoção dos produtos nacionais e as 15 mil empresas que foram representadas em missões comerciais nesses três anos de governo.

O ministro ouviu elogios e críticas do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira. Ele ressaltou o aumento de 68% das exportações nos três anos do governo e o saldo comercial de US$96,6 bilhões, mas pediu mudanças na política cambial:

¿ A meta de US$100 bilhões de exportações fixada em 2006 já foi alcançada com um ano de antecipação. Quebrou-se um tabu que encabulava a todos nós. Mas precisamos resolver o problema relativo à forte valorização do real ¿ disse Fonseca.

Os exportadores querem mudar a legislação cambial, que consideram ultrapassada. Para isso, vão entregar no encerramento do encontro, amanhã, um projeto de alteração das leis cambiais, feito pela Funcex, a pedido da Fiesp.

¿ São leis de 1930 que amarram a ação dos exportadores. Precisamos também reduzir a burocracia e os custos.

Segundo Roberto Giannetti, diretor da Fiesp e um dos autores do projeto, a idéia é enxugar a legislação atual e dar mais poder ao Conselho Monetário Nacional e ao Banco Central para regular o setor.

Projeto prevê abertura de contas em dólar no Brasil

No projeto, há a previsão de abertura de contas em dólar. As empresas exportadoras registradas nos sistemas do governo poderiam ter contas na moeda americana, para fazer frente ao pagamento de importações, de royalties, para envio de dividendos, promoção comercial e até pagamento de dívida externa:

¿ As empresas precisam vender os dólares obtidos com as vendas externas e depois comprá-los para pagar as importações, por exemplo. Nisso, perde-se cerca de 4% do valor das operações ¿ disse Giannetti.