Título: ALDO MANTÉM VOTAÇÃO PARA QUARTA-FEIRA
Autor: Maria Lima e Isabel Braga
Fonte: O Globo, 25/11/2005, O País, p. 8
PFL quer que Câmara entre com recurso no Supremo Tribunal
BRASÍLIA. Inconformado com o resultado parcial do julgamento no STF, o PFL continuou na ofensiva e encaminhou à Mesa pedido para a Procuradoria Geral da Câmara entrar com mandado de segurança para que seja interpretado o voto do ministro Cezar Peluso. Os pefelistas não aceitam que esse voto, que atende parcialmente aos argumentos da defesa, tenha sido computado pelo presidente Nelson Jobim como favorável a Dirceu. Em resposta, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, divulgou um parecer jurídico explicando que não cabe qualquer providência para contestar o Supremo: ¿A possibilidade de ingresso em juízo contra a atuação do Supremo Tribunal Federal se fará oportuna quando o processo estiver concluído e se ocorrer a sucumbência parcial da Câmara dos Deputados¿.
Ele frisou que aguardará a decisão do STF apenas até as 16h de quarta-feira e só marcará nova data se Dirceu conseguir a liminar.
¿ Quem tem responsabilidades e atribuições constitucionais não pode especular por hipóteses. Mas a Constituição e a Lei permitem que se marque a votação para o dia 30.
De manhã, durante o depoimento do ex-presidente João Paulo Cunha, integrantes do Conselho de Ética protestaram fortemente contra o Supremo. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) pediu que o órgão tomasse a iniciativa de contestar a decisão do ministro Jobim de votar antes do término do processo. Mas na reunião do Conselho, apenas o relator Júlio Delgado defendeu a idéia.
¿ É o primeiro caso que vejo de um presidente do Supremo dar um voto para empatar, e não para resolver o empate. Isso me causa estranheza. O ministro Jobim demonstrou parcialidade no voto. Ele que vai decidir para que lado vai o voto do ministro Peluso? ¿ protestou Sampaio.
No plenário o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) defendeu o Conselho de Ética e rebateu declaração da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) de que o Conselho estava atropelando normas do Regimento Interno da Câmara.
¿ Não defendo canalhas que aviltam a democracia e o andamento desta Casa. Não posso conviver com peixes podres que continuam nesta Câmara ¿ disse Tradd.
¿Fechei minha boca. Estou tranqüilíssimo¿
Assustado com a repercussão do caso, José Dirceu entrou quase às escondidas no plenário para registrar presença. Perguntado sobre a decisão do STF ele respondeu apenas:
¿ Fechei minha boca. Não falo mais nada. Estou tranqüilíssimo...
Ele minimizou a reação dos que se insurgiram contra a decisão e disse que isso não vai tirar votos que poderiam ser contrários á cassação.
¿ Isso faz parte da democracia. Mas bateram palmas para o Supremo duas vezes... ¿ disse.
Ele disse que pretendia ficar a tarde toda no plenário , mas como não haveria votação, iria embora trabalhar:
¿ E à noite vou ao cinema com minha filha Joana.
Em nota, mais tarde, acusou Izar de ter ignorado advertência de seu advogado, José Luis Oliveira Lima, sobre as conseqüências da inversão das testemunhas.