Título: SEM A JUNTA, REUNIÕES SEPARADAS
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Fonte: O Globo, 25/11/2005, O País, p. 13

Presidente volta a cobrar de ministros fim das discussões públicas

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a reunião da Junta Orçamentária, prevista para ontem, mas reuniu-se, em separado, com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, todos membros da Junta, para dizer que não quer novas discussões públicas sobre ajuste fiscal e política econômica. Lula mostrou preocupação com a execução do Orçamento e com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, que poderá ser negativa.

Lula teme que o resultado do PIB no terceiro trimestre comprometa o crescimento em 2005. A equipe econômica reviu a previsão inicial de crescimento de 4% para 3,4%, mas o temor é que a retração do terceiro trimestre resulte num crescimento no ano abaixo de 3%. O resultado seria conseqüência do aperto fiscal.

O presidente disse aos ministros que pretendia fazer uma reunião da Junta com a presença dos três ontem à noite ou hoje para discutir a execução do Orçamento de 2005 e definir os projetos que considera imprescindível acelerar até 31 de dezembro. A reunião que estava agendada para ontem foi cancelada na última hora. Lula quer discutir o Orçamento de 2006, decisivo no último ano de governo e no projeto de reeleição.

A ministra da Casa Civil chegou a agendar uma reunião preparatória da Junta com Paulo Bernardo e Palocci, mas o ministro da Fazenda disse que não participaria, reforçando a impressão de que a relação entre os dois ainda permanece tensa.

Dilma discutiu o Orçamento só com o ministro do Planejamento e técnicos da Secretaria de Orçamento Federal (SOF). Os técnicos levaram números atualizados sobre a execução. Dilma está convencida de que não é mais possível consumir o superávit excedente e chegar a 31 de dezembro só com a meta de 4,25%, mas insiste que é preciso executar o maior valor possível das despesas de investimentos.

Ela se reuniu ontem com o presidente do BNDES, Guido Mantega, que fez uma defesa enfática da ministra:

¿ A Dilma não é uma ministra gastadora. O que se quer é executar os projetos do Orçamento. E a Dilma cabe o gerenciamento desses projetos.