Título: BALANÇA COMERCIAL FAZ BC AUMENTAR PROJEÇÃO DE SALDO CORRENTE EM 45%
Autor: Patricia Duarte
Fonte: O Globo, 25/11/2005, Economia, p. 29
Instituição espera superávit de US$13,6 bi nas contas externas este ano
BRASÍLIA. O forte desempenho da balança comercial continua influenciando as contas externas do Brasil e levou o Banco Central (BC) a aumentar em quase 45% a projeção do saldo corrente ¿ que reúne as principais transações do país com o exterior na área comercial e na contratação de serviços e transferências de renda ¿ para 2005, apesar do resultado menor em outubro. O ano deverá acabar com superávit de US$13,6 bilhões. Também houve revisão para 2006. Os números melhoraram devido à mudança, para cima, das expectativas para o comércio exterior no biênio.
¿ Os nossos resultados já haviam superado as nossas projeções. O ajuste do comércio, com a balança comercial, foi importante ¿ explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
No mês passado, as transações correntes do país ¿ balança comercial e despesas como viagens, juros e remessas ¿ tiveram superávit de US$911 milhões, contra US$2,38 bilhões em setembro último e US$1,033 bilhão em outubro de 2004. Isso ocorreu, explicou Lopes, basicamente por causa do pagamento de Bradies (títulos da renegociação da dívida externa) e de recompra de C-Bonds em outubro, no total de US$1,96 bilhão. No ano, o saldo das transações já é positivo em US$11,974 bilhões, batendo o resultado acumulado em 2004 todo, de US$11,738 bilhões, e configurando novo recorde.
Previsão de saldo comercial foi de US$38 bi para US$45 bi
Para 2005 fechado, no entanto, a estimativa de superávit do BC passou de US$9,4 bilhões para US$13,6 bilhões e, para 2006, de US$700 milhões para US$3,7 bilhões. Os números são conseqüência do comércio exterior mais vigoroso no país nos últimos meses. O BC espera que o saldo da balança comercial fique em US$43 bilhões em 2005 -¿ acima dos US$38 bilhões esperados antes ¿ resultado de exportações de US$117 bilhões e importações de US$74 bilhões. Para 2006, o saldo esperado é de US$34 bilhões, 17,25% a mais que a estimativa anterior.
A conta de serviços novamente apresentou deterioração em relação ao mesmo período do ano passado, ficando com saldo negativo em US$3,081 bilhões e juntando-se ao pagamento e ao resgate de títulos da dívida. No item viagens, devido ao fato de o dólar barato estimular o turismo internacional, o déficit passou de US$20 milhões para US$104 milhões, em comparação a outubro de 2004. Já as remessas de lucros e dividendos subiram de US$515 milhões para US$836 milhões no período.
¿ As remessas estão vindo mais fortes por causa da maior lucratividade das empresas ¿ argumentou Lopes, embora analistas vejam no real forte outro fator de antecipação de remessas ao exterior, já que o lucro é revertido em mais dólares.
Reservas devem ficar em US$61 bilhões este ano
Os investimentos diretos estrangeiros somaram US$825 milhões em outubro, quase 28% mais que no mês anterior. Segundo Lopes, em novembro a entrada de recursos já está em US$850 milhões, o que o leva a acreditar que fechará o mês em US$1 bilhão. Para 2005 e 2006, o BC manteve a projeção de investimentos estrangeiros, de US$16 bilhões em cada ano. A projeção é considerada otimista por Lopes, mas factível.
A dívida externa brasileira estimada para agosto (último dado disponível do BC) ficou em US$181,626 bilhões, US$9,7 bilhões inferior ao montante de junho. De acordo com o BC, essa redução se deveu basicamente à dívida de médio e curto prazos, calculada em US$16,7 bilhões. A dívida de curto prazo permaneceu em US$16,7 bilhões.
As projeções das reservas internacionais do país também foram revisadas para cima pelo BC, levando em consideração as compras de dólares já realizadas pela autoridade monetária. Para 2005, as reservas passaram de US$58,094 bilhões para US$61,70 bilhões (com recursos do FMI) e, para 2006, de US$58,395 bilhões para US$62,001 bilhões.
Há quase dois meses, o BC retomou a compra de dólares no mercado, com a explicação oficial de melhorar as reservas internacionais do país. Além disso, de fato, o movimento serve para segurar derrubadas maiores na cotação do dólar, hoje no patamar de R$2,20. Só em outubro, o BC comprou cerca de US$3,373 bilhões, segundo seus próprios dados.