Título: `Foi torragem de dinheiro¿
Autor: Rodrigo França Taves
Fonte: O Globo, 27/11/2005, O país, p. 0

O cavaleiro Pedro Paulo Lacerda, um dos primeiros no ranking do hipismo nacional, não deve mais saltar com a égua Petra Z, avaliada em cerca de R$450 mil. Este é apenas um dos prejuízos que Lacerda sofreu com a decisão de Marcos Valério de tirar 12 cavalos de competição do Centro de Preparação Eqüestre da Lagoa (Cepel), do qual é sócio.

Como Valério justificou a retirada dos cavalos do Cepel?

PEDRO PAULO LACERDA: Ele disse que iria soltar na fazenda de um amigo para reduzir despesas. Ficou apenas um cavalo da filha, o Peace Time.

Valério continuou freqüentando a hípica depois que surgiram as denúncias?

LACERDA: Ele nunca mais veio aqui desde que estourou o troço. A vida dele ficou marcada. A filha treinava diariamente e agora treina muito pouco. Ela tinha vencido o campeonato brasileiro mirim. Treinando menos, não foi muito bem no Sul Americano no Chile, há duas semanas. Ficou só em 14º.

Você teve muitos prejuízos com a decisão de Valério?

LACERDA: Tive de demitir oito funcionários. Tinha 40 empregados e hoje são 30. O clube tinha 60 cavalos, foi uma perda grande. E também perdi um patrocínio da Telemig. Tenho de entender: ninguém quer estar aliado a uma imagem negativa.

Foi noticiado que a ligação de Valério com os cavalos seria lavagem de dinheiro.

LACERDA: Isso aqui nunca foi lavagem de dinheiro, foi torragem de dinheiro. Valério nunca vendeu cavalos, só comprou. E todo mês entrava um cheque dele no Cepel para pagar as despesas com os cavalos. Sou meio contra soltar cavalos na fazenda. Perde-se o bonde, o timing. Quem quer reduzir despesas, é porque está mesmo apertado.