Título: MAIS GASTOS COM TRANSPORTE E TELEFONE
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 29/11/2005, Economia, p. 22

Despesas com comida caíram. IBGE inclui mudanças em índices de preços

As famílias brasileiras estão gastando mais com transporte e telefone e menos com alimentação, casa e roupas. Por isso, os índices de inflação, que monitoram o movimento dos preços, vão mudar. Os novos pesos das despesas no orçamento das famílias foram divulgados ontem pelo IBGE, depois da atualização feita com os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que coletou informações entre 2002 e 2003 e constatou as mudanças nos orçamentos das famílias. As taxas de inflação com as mudanças começarão a ser divulgadas em julho do ano que vem. A abrangência geográfica permanece a mesma: seis regiões metropolitanas. Índices nacionais, somente em 2008.

Mudarão o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação de preços de famílias que ganham de um a 40 salários-mínimos e orienta o sistema de metas do governo, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Teto do INPC será reduzido para seis salários-mínimos

O último, além das modificações no peso das despesas, vai sofrer alterações no perfil das famílias pesquisadas. Até agora, o IBGE acompanhava famílias que ganhavam entre um e oito salários-mínimos. Esse teto baixou para seis.

¿ O índice, usado nas negociações salariais, reflete o universo de 50% de famílias com os menores rendimentos. Nesse corte, foi necessário baixar o teto ¿ explicou Márcia Quintslr, técnica do IBGE.

De acordo com Márcia, o ganho real do salário-mínimo de 96 a 2003 (intervalo entre as duas POFs), unido à perda de rendimento do trabalhador, explica essa mudança:

¿ Houve ainda uma concentração de famílias nas faixas mais altas.

A alimentação continua sendo, nos dois grupos de famílias, a despesa mais pesada do orçamento. Mas estão levando menos dos ganhos das famílias nos últimos sete anos. Segundo Eulina Nunes, técnica de coordenação de preços, a oferta grande de alimentos provocou reajustes inferiores à inflação média nos últimos anos. Mas, nos transportes, os aumentos de gasolina inflaram a despesa. Outro grupo a ganhar espaço foi o de comunicação, no qual entra o telefone:

¿ Mais pessoas conseguiram linha fixa e celular, e esses serviços subiram bem mais que a inflação no período.

Nas famílias com rendimentos menores, a parcela destinada à comunicação subiu de 1,05% em 1996 para 5,13% em 2003. Para quem ganha até 40 salários-mínimos, a educação avançou mais no orçamento: em 96 respondia por 4,84% e, em 2003, subiu para 6,55%. Os índices também ficarão mais enxutos: o número de itens pesquisados passará de 512 para 390 e foi excluído o IPTU.