Título: DÓLAR CAI PARA R$ 2,189, APESAR DE LEILÕES DO BC
Autor: Patrícia Duarte/Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 30/11/2005, Economia, p. 27
Instituição fará hoje operação com volume maior, em torno de US$600 milhões. Governo capta US$500 milhões
RIO e BRASÍLIA. De nada adiantou a investida mais incisiva do Banco Central (BC) no mercado de câmbio ontem. Apesar de dois dias consecutivos de leilões de swap cambial - operação que funciona como uma compra de dólares no mercado futuro - e um novo leilão à vista (no qual comprou moeda a R$2,195), o dólar voltou a cair ontem. A moeda americana encerrou os negócios a R$2,189, em queda de 0,59%, próxima à mínima do dia, de R$2,187.
Hoje, o BC volta à carga com munição renovada: fará o terceiro dia consecutivo de leilão de swap e, desta vez, venderá 12.400 contratos, no lugar dos tradicionais 10.500, numa operação estimada em US$600 milhões. Serão oferecidos títulos com vencimento entre março de 2006 e janeiro de 2008. No leilão de ontem, o BC comprou o equivalente a US$500 milhões. Nos quatro leilões de swap feitos até agora, o BC já movimentou US$1,9 bilhão.
Ontem, uma nova captação do governo no mercado internacional influenciou na queda do dólar. O Tesouro Nacional captou US$500 milhões em bônus com vencimento em 2034 (Global 2034), dentro da estratégia de rolar boa parte da dívida externa que vence no ano que vem e em 2007. Segundo fontes de mercado, a demanda teria superado US$1 bilhão e a operação - anunciada no fim da noite de anteontem - teria sido destinada a investidores asiáticos.
O governo conseguiu melhorar o custo da nova captação - na verdade, reabertura de um título lançado pela primeira vez em janeiro de 2004 - pagando 3,62 pontos percentuais acima dos juros pagos pelos títulos do Tesouro americano. Na última emissão do mesmo papel, feita em maio e também de US$500 milhões, a diferença ficou em 4,40 pontos percentuais.
Nos próximos dois anos, o Brasil tem dívida de US$11,8 bilhões vencendo, mas já decidiu que resgatará apenas US$2,8 bilhões. Para o restante, de US$9 bilhões, fará novas captações para rolar o passivo. Na emissão de ontem, liderada pelos bancos Merrill Lynch e Barclays Capital, o Tesouro conseguiu taxa de retorno de 8,31% ao ano, sendo que os papéis foram colocados com preço 99,325% do valor de face.
Com a captação, os títulos da dívida externa brasileira recuaram no mercado internacional. Isso ocorre porque investidores costumam vender parte dos papéis em carteira e usar os recursos para participar da nova oferta. O Global 40 recuou 0,10%, cotado a 123,43% do valor de face. O risco-país subiu 1,74%, para 351 pontos centesimais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 0,94%, atingindo 31.651 pontos.