Título: OCDE PREVÊ QUE ECONOMIA BRASILEIRA TERÁ CRESCIMENTO DE 3,7% EM 2006
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Fonte: O Globo, 30/11/2005, Economia, p. 29

Grupo recomenda que país use superávit primário para reduzir dívida

PARIS. Apesar da recente alta dos preços do petróleo, a economia global está em ritmo de expansão, afirmou ontem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE, grupo de 30 países industrializados), em seu relatório semestral "Perspectivas Econômicas". Para o Brasil, a estimativa é que a economia cresça 3,2% este ano, com o ritmo acelerando para 3,7% em 2006 e 3,9% em 2007.

No capítulo dedicado ao Brasil, a OCDE, que tem sede em Paris, recomendou que o país aproveite o superávit de suas contas públicas para reduzir o peso de sua dívida. O relatório afirmou que a recuperação da economia no segundo semestre se deve, em grande parte, ao consumo, puxado pelo acesso maior ao crédito, e ao aumento do poder aquisitivo. O texto destacou também o ritmo dinâmico das exportações.

Mesmo com furacões, EUA devem crescer 3,6% este ano

A OCDE advertiu, porém, que a turbulência política causada pelas denúncias de corrupção dificulta a aprovação de reformas estruturais nos próximos meses. Mas o relatório ressaltou que os fundamentos da economia brasileira permitem "recuperação do crescimento a médio prazo". Segundo o documento, a trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic), iniciada em setembro, contribui para isso, assim como "a situação favorável dos mercados de crédito e do emprego".

Além disso, a OCDE disse que o superávit primário (receitas menos despesas, sem contar os gastos com juros) que ultrapassar a meta de 4,25% deve ser usado na redução da dívida, não para elevar os gastos do governo.

Já a estimativa de crescimento para os 30 países que compõem a OCDE é de 2,7% este ano e 2,9% em 2006 e 2007. Para o Japão, espera-se expansão de 2,4% em 2005, que cairia para 2% nos próximos dois anos.

Segundo o relatório, a economia americana resistiu bem às passagens dos furacões Katrina e Rita: deve registrar expansão de 3,6% este ano. Em 2006 o crescimento seria de 3,5% e em 2007, de 3,3%.

Com relação aos 12 países da zona do euro, espera-se crescimento de 1,4% em 2005 e 2,1% ano que vem.

"De modo geral, o crescimento global tem sido excepcionalmente vigoroso, alimentando altas de preços nos mercados de petróleo e outras commodities", disse a OCDE.

O documento afirmou que o preço do petróleo e problemas como o déficit em conta corrente americano ainda representam riscos para a economia global. Mas a OCDE reconheceu que a disparada do petróleo, que dobrou de preço em relação ao patamar de 2003, fez menos estrago do que esperado. O relatório afirmou também que os juros nos EUA, atualmente em 4% ao ano, devem atingir 4,75% em março, permanecendo nesse patamar por algum tempo.

Com relação ao comércio global, estima-se crescimento de 7,3% este ano, 9,1% em 2006 e 9,2% em 2007.