Título: VALE PAGA US$750 MILHÕES POR CANADENSE CANICO
Autor: Érica Ribeiro
Fonte: O Globo, 30/11/2005, Economia, p. 31
Compra de 93% das ações colocará mineradora brasileira entre as quatro maiores produtoras de níquel do mundo
RIO e LIMA. O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, anunciou ontem a compra do controle da empresa canadense de exploração mineral Canico por 846 milhões de dólares canadenses (aproximadamente US$750 milhões ou R$1,6 bilhão). A empresa aumentou a oferta inicial, de 17,50 dólares canadenses por ação, para 20,80 dólares canadenses. Há dois meses, a Vale fez uma oferta inicial pelo controle da Canico de 725 milhões de dólares canadenses (US$612 milhões).
A Vale passará a ser dona do principal ativo da canadense, o projeto de produção de níquel Onça Puma, no Pará. Segundo Agnelli, com a aquisição e com o projeto próprio de níquel no Pará, chamado de Vermelho, a Vale ficará entre as quatro maiores produtoras de níquel do mundo:
- Estamos terminando uma etapa importante para a Vale com a aquisição de 93% da Canico. Com Onça Puma e Vermelho, ambos no Pará, teremos uma capacidade de produção de 106 mil toneladas de níquel.
Produção começa no primeiro semestre de 2008
Segundo o presidente da Vale, os projetos Onça Puma e Vermelho serão executados em um momento propício para a mineradora, uma vez que a demanda do mercado mundial por níquel está em alta e a oferta não acompanha. Onça Puma tem previsão de operação no primeiro semestre de 2008 e Vermelho, no fim do mesmo ano.
- A demanda do mercado de níquel hoje supera a oferta e há preocupação com a escassez do produto. Nossos clientes na Ásia e na Europa têm manifestado interesse em contratos de longo prazo no níquel -- destacou Agnelli.
O pagamento pela aquisição das ações da Canico será feito pela Vale até o dia 1º de dezembro. Os investimentos previstos para o projeto de Onça Puma são de US$1,1 bilhão, enquanto a mina de Vermelho receberá US$1,2 bilhão.
Esses valores podem ser reduzidos, por causa dos planos da Vale de buscar sinergias entre os dois projetos. Agnelli preferiu não fazer projeções neste momento sobre a economia com a execução dos projetos:
- O valor de investimento dos dois projetos é o teto. Mas com certeza vamos reduzir custos com a sinergia dos projetos.
O presidente da Mineração Onça Puma (empresa da Canico no Brasil), Julio Carvalho, disse que duas importantes etapas do projeto - o estudo de viabilidade e o licenciamento ambiental - já estão concluídas.
Ontem, a agência de investimentos do governo do Peru, a ProInversión, disse que seis das maiores mineradoras do mundo, incluindo a Vale, competirão pelo projeto de cobre peruano de La Granja em 16 de dezembro. O governo diz que seriam necessários investimentos de US$700 milhões.
Ferro: preços vão refletir comportamento do mercado
A Vale está em processo de posicionamento quanto ao preço do minério de ferro. Para Agnelli, os preços vão refletir o comportamento do mercado, que continua aquecido:
- Há um período para um acordo que interesse a nós e às siderúrgicas. A siderurgia hoje se divide em dois mundos. Um é a Ásia e o outro são mercados maduros como Europa, EUA e América do Sul, onde o crescimento é menor. Mas o mercado é um só, global.
As mineradoras negociam anualmente preços com as siderúrgicas e este ano enfrentam resistência para aplicar o reajuste pretendido, entre 20% e 40%, segundo fontes de mercado, devido à inesperada alta de 71,5 % no minério de ferro em 2005, obtida pela Vale.
(*) Com agências internacionais
Legenda da foto: ROGER AGNELLI (à direita), ao lado de Julio Carvalho, da Canico: o mercado mundial de níquel está em alta