Título: CONGRESSO PEDE À ABIN E À PF PARA INVESTIGAR GRAMPO
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 01/12/2005, O País, p. 13
Objetivo é descobrir quem espionou e ameaçou oposicionistas
BRASÍLIA. A Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, do Congresso, solicitou ontem à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e à Polícia Federal que os dois órgãos investiguem a responsabilidade por um grampo telefônico identificado no aparelho celular do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e por ameaças feitas contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM).
¿ A comissão resolveu encaminhar oficialmente o pedido para que Abin e a PF investiguem isso ¿ confirmou o senador Saturnino Braga (PT-RJ), que presidiu a reunião da comissão, realizada ontem.
Deputado acusa Abin por grampo em seu celular
O chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix; o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Paulo Buzanelli; e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, foram ouvidos ontem em reunião reservada da comissão para analisar essas denúncias de espionagem e ameaças contra parlamentares de oposição.
O deputado ACM Neto acusou a Abin de estar por trás do grampo identificado em seu celular. E o tucano Arthur Virgílio acusou um ex-policial de estar monitorando seus passos e de sua família em Manaus, a mando do PT. Buzanelli negou categoricamente que a Abin tenha participado de qualquer operação de espionagem contra o deputado pefelista.
O diretor da Abin ressaltou que o último aparelho de grampo que estava em poder da agência foi repassado para a PF no fim da década de 80 e, desde então, nunca mais nenhum agente participou de qualquer operação deste tipo. Mas tanto Buzanelli quanto Paulo Lacerda admitiram que não têm controle sobre eventuais desvios de conduta de representantes das instituições que comandam.
Proposta pede avaliação quinzenal de escutas
Um dos temas discutidos foi o chamado ¿enxerto¿ na lista de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, mediante solicitação da PF. A comissão planeja elaborar um projeto de lei criminalizando este tipo de conduta. Além disso, a proposta deverá exigir uma avaliação quinzenal das escutas autorizadas, para que seja fiscalizada a eficiência e necessidade da operação.