Título: Assessor particular de Palocci tem sigilo quebrado
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 01/12/2005, O País, p. 13

CPI dos Bingos também aprova uma acareação entre integrantes da chamada República de Ribeirão Preto

BRASÍLIA. No dia em que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi bombardeado pela oposição pela queda do Produto Interno Bruto (PIB), a CPI dos Bingos aprovou três requerimentos que podem complicar a situação do ministro. Entre eles, a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico de seu assessor particular, Ademirson Ariovaldo da Silva, nos últimos cinco anos.

Ademirson é investigado pela CPI por ter trocado desde 2003 mais de 2.300 ligações com ex-assessores de Palocci suspeitos de tráfico de influência no governo federal, em benefício de empresários paulistas, e de participar dos supostos esquemas de caixa dois do PT.

Antes de ser assessor especial do ministro, Ademirson dirigiu o Instituto de Previdência de Ribeirão Preto e foi responsável pela prestação de contas nas campanha de Palocci para deputado federal e prefeito de Ribeirão Preto, na segunda gestão.

A CPI também aprovou requerimento para realizar mais uma acareação, na terça-feira, desta vez envolvendo seis integrantes da chamada República de Ribeirão Preto. Além de Ademirson, a comissão vai ouvir Rogério Buratti, que denunciou o suposto uso de caixa dois na prefeitura; Vladimir Poleto, acusado de transportar supostos dólares de Cuba para o PT; Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete de Palocci; Ruy Barquete, irmão de Ralf, acusado de arrecadar dinheiro de propina; e Carlos Eduardo Valente, que seria contato entre eles e o Prosper.

Também foi convocado o motorista Eder Eustáquio Soares de Macedo. Ele confirmou ter dirigido o Omega preto que transportou, em 2002, caixas supostamente contendo o dinheiro que teria vindo de Cuba, de Campinas para São Paulo. No ano seguinte, Eustáquio foi nomeado para um cargo de confiança no ministério. Os integrantes da CPI querem saber por que o motorista foi trabalhar em Brasília.