Título: Indústria paulista encolheu 0,9% em outubro, pelo segundo mês seguido
Autor: Aguinaldo Novo e Mariza Louven
Fonte: O Globo, 02/12/2005, Economia, p. 28

Estoques excessivos podem manter a atividade desacelerada este ano

SÃO PAULO e RIO. A atividade da indústria paulista voltou a cair em outubro, pelo segundo mês consecutivo. A queda do Indicador de Nível de Atividade (INA) foi de 0,9% na comparação com setembro, considerando o ajuste sazonal, informaram ontem a Fiesp e o Ciesp. Em relação a outubro de 2004, houve retração de 1,8%.

A estimativa preliminar do economista Estêvão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também é de que a produção industrial do país encolha 0,9% em outubro. Segundo ele, o fraco ritmo da produção, apesar da aceleração de alguns segmentos do varejo, indica que em vez de produzir mais, as indústrias podem estar reduzindo estoques. Isto diminui a possibilidade de forte retomada da economia este ano, mas pode levar à recomposição dos estoques em 2006.

¿ O resultado do PIB, no terceiro trimestre, não foi um ponto fora da curva, como disse o ministro Palocci (Antonio Palocci, da Fazenda), assim como os resultados preliminares do último trimestre não apontam para uma recuperação ¿ afirmou o diretor de Economia da Fiesp, Paulo Francini.

De acordo com o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas, Aloísio Campelo, a proporção de empresas que informaram estar com estoques excessivos caiu de 14%, em julho, para 12%, em novembro. Apesar da redução, o percentual ainda está bem acima da média histórica considerada normal, de 5% a 8%, acrescentou Campelo.

Em outubro, o INA registrou recuo no total de vendas reais (1,8%) e do salário real médio (0,2%), enquanto as horas trabalhadas na produção apresentaram variação de apenas 0,2%. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que chegou a 82,8% em outubro de 2004, recuou para 80,4% no mês passado.

João Carlos Gomes, da Fecomércio-RJ, diz que os indicadores apontam vendas crescentes. Por isso, aumentou a proporção dos estabelecimentos que estenderão até janeiro o trabalho dos temporários contratados para o Natal.