Título: LUZ AMARELA NA APOSENTADORIA
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 06/12/2005, Economia, p. 21

Um milhão de investidores tem só até dia 30 para escolher tributação de previdência privada

Aapenas 19 dias úteis do fim do ano, um milhão dos 2,5 milhões de investidores que devem migrar para o novo regime de tributação dos fundos de previdência privada ainda não decidiu o destino dos recursos aplicados. Até 30 de dezembro, mais 300 mil pessoas devem aderir ao novo modelo de tributação, que foi criado em janeiro deste ano e reduz o Imposto de Renda (IR) a pagar nas aplicações de longo prazo, prevê Osvaldo do Nascimento, presidente da Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp). Para Nascimento, os 700 mil investidores restantes farão a opção a longo prazo, perdendo um ano extra na contagem do prazo.

Esta é a vantagem de quem optar até o fim deste mês: para efeitos de tributação, os recursos acumulados até o fim do ano passado serão considerados aplicações feitas em 1º de janeiro deste ano, ou seja, o investidor não perderá todo o prazo de acumulação anterior ao novo regime. Já para os que decidirem aderir após 30 de dezembro, a contagem do prazo será feita a partir da data da mudança. Isso significa que o investidor que dormir no ponto pode perder um ano no cálculo do prazo para pagar menos imposto.

Migração de apenas 10% nas empresas

Segundo as empresas de previdência, muita gente está mesmo deixando a escolha para a última hora. No Itaú, no Bradesco e na Mongeral, apenas 10% dos clientes elegíveis ao novo plano decidiram migrar. Dos novos, 15% optaram pela nova tributação. Na Mongeral, a adesão dos novos clientes foi maior: 30% do total.

¿ Os mais jovens são os que vêm optando pelo novo modelo, pois têm perspectiva de uma renda maior no futuro. Então, o imposto menor incidirá sobre a maior parte dos recursos, beneficiando o aplicador ¿ explica Nelson Emiliano, superintendente técnico da Mongeral.

Marco Antônio Rossi, diretor de Previdência do Bradesco, diz que, em geral, a migração também beneficia quem projeta ganhar mais de R$4 mil mensais no momento da aposentadoria e pretende ficar mais de quatro anos com os recursos aplicados.

Segundo Nascimento, da Anapp, o brasileiro deve fazer uma opção tardia por falta de entendimento em relação às novas regras. Até o fim do ano passado, havia apenas uma maneira de pagar IR sobre os planos de previdência: a tributação progressiva. Resgates e pagamentos de benefícios eram tributados de acordo com a tabela do IR, que tem uma faixa de isenção (valores até R$1.164), alíquota de 15% (entre R$1.164,01 e R$2.326) e 27,5% (recursos acima de R$2.326).

No apagar das luzes do ano passado, foi aprovada a lei 11.053, que criou, em janeiro deste ano, a opção de tributação decrescente, cuja intenção é estimular a poupança de longo prazo. No novo modelo, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor será o IR a pagar. Há seis alíquotas, que variam de 35% (resgates com menos de dois anos de acumulação) a 10% (aplicações superiores a dez anos).

A jornalista Gisele Macedo contratou um plano da Mongeral há quatro meses e aderiu ao novo modelo:

¿ Após várias simulações, vi que era a opção mais vantajosa. Assim, vou pagar menos IR no futuro.

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