Título: AMORIM COBRA ABERTURA DA UE E DIZ QUE ATÉ EUROPEUS ESTÃO INSATISFEITOS
Autor: Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 06/12/2005, Economia, p. 25

Para o ministro, oferta do bloco para o mercado agrícola é insuficiente

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que chegou ontem de Genebra, cobrou da União Européia (UE) ¿progressos mais palpáveis¿ nas ofertas de abertura do seu mercado agrícola. Amorim destacou que até mesmo a maioria dos países europeus está insatisfeita com a inflexibilidade de Bruxelas, numa referência ao recente alinhamento dos britânicos com as demandas de Brasil e EUA por um maior acesso ao mercado agrícola da UE.

¿ Nós e a torcida do Flamengo temos dito que a oferta da UE em acesso a mercados é insuficiente. Não só para nós, mas, para os EUA e para o G-20 como um todo, é insuficiente ¿ disse o ministro, após proferir conferência na Coppe/UFRJ.

Enquanto os britânicos defendem uma maior abertura, os franceses são os mais relutantes em melhorar a oferta da UE. Em Genebra, ministros de vários países se reuniram para tentar evitar o fracasso da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), semana que vem em Hong Kong. Perguntado se a estratégia do Brasil de se aproximar dos EUA para cobrar uma maior abertura da UE não poderia ser um tiro no pé, Amorim respondeu:

¿ Só se for no pé da União Européia. Até um mês e meio atrás nós estávamos com a UE cobrando dos Estados Unidos a redução dos subsídios internos. Os EUA então fizeram um movimento. A expectativa agora é que a UE faça um movimento em acesso a mercados.

O ministro não é muito otimista quanto à possibilidade de um acordo na reunião de Hong Kong, que deveria concluir a atual rodada de negociações da OMC. A maioria dos analistas espera que a conferência termine com avanços tímidos.

¿ Se a UE não fizer uma oferta significativa, não há como fechar um acordo.

Durante a conferência, o ministro minimizou as dificuldades que poderiam surgir com a adesão da Venezuela ao Mercosul. O país poderá se tornar membro pleno do bloco durante a cúpula de presidentes do Mercosul, que será realizada esta semana em Montevidéu.

¿ Sempre que um bloco se amplia ou incorpora um novo membro é um processo complexo. Isso ocorreu quando Portugal, Espanha e Grécia entraram na UE. Com a Venezuela, teremos de fato uma vértebra de comércio na América do Sul, uma união aduaneira em grande parte do continente.

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