Título: CPI duvida de versão de Delúbio sobre vice
Autor: Adriana Vasconcelos
Fonte: O Globo, 08/12/2005, O País, p. 8
Investigadores avaliam que dinheiro pode ter saído de outra fonte, ainda desconhecida, que abastecia o PT
BRASÍLIA. A CPI dos Correios começou a desmontar a versão do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares de que o R$1 milhão repassado à Coteminas, empresa do vice José Alencar, teria saído do valerioduto. Para a CPI, o dinheiro pode ter saído de outra fonte de recursos que alimentava o PT e não é conhecida. Ou o valerioduto é maior do que se sabe até agora.
O relator-adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), divulgou levantamento mostrando que o esquema de distribuição de recursos ao PT e aliados montado por Marcos Valério estaria deficitário em R$2,7 milhões, mesmo computado o pagamento feito a Coteminas.
¿ Ou o valerioduto era muito maior do que Delúbio e Marcos Valério admitiram ou esse R$1 milhão teve outra fonte.
O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), duvida que o dinheiro para a empresa de Alencar seja do valerioduto:
¿ Temos indícios de que o dinheiro não saiu do valerioduto, mas ainda não dá para saber de onde veio. Não teria sentido o PT ter guardado por um ano o dinheiro, sem aplicá-lo, antes de repassá-lo para a Coteminas.
Discrepância de R$2,2 milhões
Valério alegou na CPI que as empresas teriam destinado ao PT por meio de empréstimos no Banco Rural e BMG R$55.217.271,02. Com a quebra do sigilo bancário, a CPI constatou que Valério só conseguiu levantar R$52.948.447,60 líquidos, já que parte dos empréstimos foi usada para abater encargos de outras dívidas.
Só a discrepância entre o que o empresário diz e o que a comissão apurou somaria R$2,2 milhões. A lista de pagamentos apresentada por Valério indica que os saques nas contas de suas empresas excederam os empréstimos que ele alegara ter feito para o PT. Valério diz que a soma é de R$55.691.227,81, o que geraria déficit de R$493.956,79 no valerioduto.
Pelos cálculos da CPI, se fosse verdadeira a versão dos empréstimos, o déficit do valerioduto chegaria a R$3,7 milhões, já considerando que o R$1 milhão pago à Coteminas teria saído do esquema montado por Valério. Durante encontro com o delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, Serraglio e Eduardo Paes foram informados que Delúbio deveria ser convocado para depor e em seguida seria chamada a funcionária do PT que levou o dinheiro à Coteminas, Marice Correia Lima.