Título: EM SP, CAUTELA MAIOR ENTRE EMPRESÁRIOS
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 08/12/2005, Economia, p. 29

Percentual de confiança na indústria em 1 ano recuou de 80% para 55%

SÃO PAULO. A indústria paulista está mais cautelosa com as perspectivas para seus negócios no ano que vem, devido à valorização cambial e a dúvidas sobre o comportamento da demanda no mercado interno, mas ainda assim aposta em crescimento da produção e estabilização da margem de lucros. É o que mostra uma pesquisa divulgada ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Das 712 empresas entrevistadas, 55% estão confiantes ou muito confiantes nos negócios em 2006. Há um ano, esse percentual era de 80%. O total de pessimistas ou muito pessimistas dobrou: de 7% para 14%.

¿ O próximo ano não será de recessão, mas existe um tom de otimismo cauteloso. Isso é natural. A queda do PIB (de 1,2% no terceiro trimestre) afetou bastante as expectativas e, além disso, temos todos os fatores que estão travando a atividade econômica, como juros altos e câmbio ¿ disse o presidente do Ciesp, Cláudio Vaz.

Entre os principais fatores de risco para o ritmo dos negócios em 2006 foram citados, em ordem crescente, a manutenção da atual taxa de câmbio, a falta de perspectiva de crescimento da demanda interna e a concorrência de produtos chineses. Dos entrevistados, 42% apostam em crescimento do volume de produção (contra 50% em 2004) e 11%, na expansão da margem de lucro (24% antes). A cautela deve influenciar o nível de emprego, que para 56% das empresas não terá expansão ano que vem.

Com relação a novos investimentos, 39% dos empresários disseram não ter mudado seus planos e 6% vão aumentar o valor a ser desembolsado. Mas 36% disseram que, por causa dos juros altos, do câmbio e das eleições, vão reduzir os investimentos em 2006. O Ciesp aproveitou para criticar à política econômica.

¿ Queremos apenas uma dosagem diferente. Ninguém pede juros negativos, mas esperamos uma taxa compatível com investimentos e inflação ¿ disse Vaz.

O Ciesp também divulgou parte de uma pesquisa conjunta com a Ipsos, com mil pessoas de 70 cidades (não apenas empresários). Na pergunta ¿O que faria o(a) senhor(a) perder o sono em 2006¿, 29% citaram o desemprego; 17%, a violência urbana; e ¿ para surpresa da entidade ¿ 16%, a volta da inflação. Para Vaz, isso se deve ao debate na mídia sobre os juros.