Título: OMC: LULA PROPÕE A BUSH REUNIÃO EXTRA
Autor: Luiza Damé
Fonte: O Globo, 08/12/2005, Economia, p. 30
Brasil teme fracasso em Hong Kong e quer encontro de líderes em janeiro
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Hong Kong, na próxima semana, poderá fracassar e, por isso, ampliou a ofensiva para que o destravamento da Rodada Doha seja obtido por intermédio de uma decisão política, envolvendo diretamente os principais líderes mundiais, em encontro a ser realizado possivelmente em janeiro. Lula falou ontem com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e propôs a realização do encontro de chefes de Estado dos países ricos e em desenvolvimento.
Na semana passada, Lula conversara sobre este encontro com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. O Brasil sugere que a reunião seja feita em Davos, na Suíça, paralelamente ao Fórum Econômico Mundial.
¿ Hong Kong não é o ponto final. Sabemos das limitações e isso não é segredo. Mas é possível algum avanço pelos flancos, que não dizem respeito à barganha central (o comércio agrícola) dessa rodada. A barganha central é muito difícil de ser concluída em Hong Kong ¿ disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Segundo ele, Bush reagiu positivamente à sugestão de Lula e agradeceu o empenho pessoal do presidente brasileiro na tentativa de destravar as negociações. Lula argumentou que os negociadores de cada país devem fazer o necessário para avançar no entendimento, mas que será necessária a articulação dos líderes políticos para dar andamento às decisões que venham a ser tomadas na próxima semana. Lula disse ainda a Bush que essas negociações exigem mais do que mandato e habilidade dos negociadores, é necessário liderança política.
Reunião de Hong Kong não será final, dizem presidentes
Os dois presidentes concordam que a maior resistência vem da União Européia (UE), que protege o setor agrícola. Lula destacou na conversa que os EUA, assim como o Brasil, que reduziu tarifas dos setores industrial e de serviços, adotaram medidas internas para facilitar as negociações. Agora, na avaliação do governo brasileiro, será necessária a contrapartida européia no acesso a mercados agrícolas.
¿ O presidente Bush compartilha da avaliação de que realmente as coisas estão paradas e é preciso levar a UE a avançar. Isso vai envolver a necessidade de que alguns países saiam de posições muito entrincheiradas ¿ disse Amorim, que acompanhou a conversa entre Bush e Lula.
Segundo Amorim, Bush afirmou que em Hong Kong será feito o trabalho inicial, mas reconheceu que seria importante o encontro para definir a estratégia posterior. Segundo o ministro, Bush disse, e Lula concordou, que as negociações em Hong Kong não serão finais, mas que será um momento importante. Acrescentou que será crucial que os líderes políticos cheguem a resultados positivos, não só para o comércio, mas para o desenvolvimento econômico e a luta contra o terrorismo e a pobreza.