Título: PÓLO PETROQUÍMICO DO RIO PODE SOFRER ATRASOS
Autor: Ramona Ordoñez
Fonte: O Globo, 09/12/2005, Economia, p. 34

Pressões políticas para a escolha do local estão atrapalhando a decisão técnica da Petrobras e do grupo Ultra

As crescentes pressões políticas, tanto por parte do governo estadual como das prefeituras das regiões de Itaguaí e do Norte Fluminense, ameaçam atrasar a escolha do local onde será construída a Refinaria Petroquímica que a Petrobras, em parceria com o grupo Ultra, pretende instalar no Estado do Rio de Janeiro. O projeto é de cerca de US$6,5 bilhões (cerca de R$14,5 bilhões) ¿ somente considerando a refinaria, que vai usar petróleo pesado, e as unidades petroquímicas. A escolha do local deveria ocorrer até o fim deste ano.

¿ A discussão, que deveria ser apenas técnica, ficou política. Estão dizendo que vão fazer passeata e distribuir panfletos pelas ruas ¿ desabafou um executivo envolvido no projeto.

O governo do estado defende a construção do projeto no Norte Fluminense ¿ região natal da governadora Rosinha Garotinho ¿ alegando que em Itaguaí, devido ao grande número de projetos industriais previstos, haveria problemas ambientais sérios, além de sociais. O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, garantiu que o governo apoiará o projeto em qualquer local que seja escolhido. No entanto, destaca que os incentivos tributários que serão oferecidos caso seja escolhida a região de Campos, no Norte Fluminense, serão mais atraentes.

¿ Os investimentos na região de Itaguaí e do Porto de Sepetiba somam US$11 bilhões. Não queremos no futuro ter uma Cubatão em Itaguaí, e uma Serra Pelada no Norte Fluminense, quando o petróleo acabar ¿ afirmou Victer.

Em Campos projeto fica quase US$1 bilhão mais caro

Segundo os estudos que estão sendo feitos pela Petrobras e pelo grupo Ultra, a opção por Campos representaria um custo adicional de US$600 milhões a US$1 bilhão, fora os cerca de US$3,5 bilhões na refinaria. Entre outros problemas está a distância de quase 40 quilômetros da costa.

De acordo com um executivo, o projeto não teria tantos problemas ambientais como afirma o governo do Rio. As tecnologias modernas seriam suficientes ¿ e existem projetos dez vezes maiores em outras partes do mundo, como em Cingapura, Texas ou Nova Orleans.

¿ A diferença de investimentos, o governo cobrirá com incentivos tributários ¿ garantiu Victer.

Mas fontes envolvidas no projeto demonstraram preocupação quanto ao efetivo cumprimento dessa promessa. Eles acham que o governo não terá recursos para cumpri-la.

¿ O projeto pode ser construído até na Lua. Mas quem vai pagar? Esse projeto é para termos o governo do estado do nosso lado, dando-nos todo apoio e não sendo contra ¿ disse o executivo.

O presidente do Grupo Ultra, Paulo Cunha, afirmou apenas acreditar que as polêmicas serão superadas, permitindo viabilizar a construção do pólo em território fluminense. A preocupação de Cunha já havia sido expressada ontem na coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO.

¿ Continuo apoiando o projeto no Estado do Rio ¿ disse ontem Cunha.