Título: Serraglio: fundos de pensão abasteciam campanha do PT
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 10/12/2005, O País, p. 13

Para relator, entidades participaram do esquema de Delúbio

SÃO PAULO. O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem suspeitar que os fundos de pensão são uma nova fonte de recursos que teria alimentado as campanhas do PT em 2004. Segundo o relator, os membros da CPI entendem que os fundos são uma fonte que abastecia o esquema montado pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

¿ Aquele relatório parcial que foi apresentado (pela CPI) tem muita coisa a mais em relação aos fundos de pensão. Os fundos de pensão são uma nova origem de recursos. Isso está praticamente patenteado. Ontem (quinta-feira) um dos ex-dirigentes do Banco Rural, Carlos Godinho, disse que se percebeu em 2003 e 2004 a elevação do caixa e que, portanto, era um agrado com recursos dos fundos. Pela outra mão, ele (Rural) distribuía ao PT ¿ disse Serraglio.

Sobre o destino do dinheiro dos fundos, Serraglio disse não ter dúvidas de que era para pagar campanhas do PT:

¿ O destino foi a alimentação de uma campanha milhardária (do PT) a que vocês assistiram nas últimas eleições.

¿Houve muita remessa de dinheiro para o exterior¿

O relator confirmou também que em breve novas informações serão divulgadas sobre a remessa de capital dos fundos para o exterior:

¿ Logo, logo vocês vão saber que houve muita remessa de dinheiro para o exterior.

Segundo Serraglio, hipoteticamente uma parte desses recursos desviados dos fundos de pensão para o PT pode ter abastecido a conta do publicitário Duda Mendonça em Nova York.

¿ Nós não temos ainda essa identificação.

Serraglio participou ontem pela manhã, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, de um ato em defesa das CPIs promovido pelo grupo parlamentar Pró-Congresso, coordenado pelo deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), e pelo movimento ¿Da indignação à ação¿, coordenado pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior. Mesmo com ácidas críticas, nenhum dos oradores pediu o impeachment do presidente Lula.