Título: PARA CUNHA, HÁ INTERESSES POLÍTICOS EM DENÚNCIA DA CPI
Autor: Bernardo de la Peña e Chico Otavio
Fonte: O Globo, 11/12/2005, O País, p. 3

`Por que só a Prece? Por que não investigam fundos de outros estados?,¿ pergunta deputado ligado a Garotinho

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que há ¿interesses políticos¿ por trás das investigações da CPI dos Correios sobre as operações financeiras da Prece, o fundo de pensão dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Cunha pôs em dúvida a legitimidade da CPI para apurar fatos ligados a um fundo estadual:

¿ Se isso é possível, por que só a Prece? Por que não investigam fundos de outros estados?

O deputado fluminense, ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, negou conhecer a Erste Banking Empreendimentos e Participações, do empresário Lúcio Bolonha Funaro, supostamente favorecida em R$1,5 milhão em operações com a Prece. Embora tenha morado no apartamento do empresário, em Brasília, Eduardo Cunha afirmou que pagava aluguel. Segundo ele, o apartamento estava alugado em nome de sua chefe de gabinete.

¿ Tenho contrato. Posso provar ¿ disse Eduardo Cunha.

O deputado disse que não conhece qualquer diretor da Prece e nem da Quality, corretora que mais aparece nas operações mais prejudiciais ao fundo. Ele disse que só esteve no gabinete do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), acompanhando o deputado Carlos Wilson, para criticar as investigações sobre a Prece, porque faz uma ¿defesa institucional do Estado do Rio¿.

O gerente de investimentos da Prece, Paulo Martins, afirmou que a Quality, como administradora dos oito fundos exclusivos da Prece, não tinha poder para comprar ou vender ativos. Ele disse que o papel da corretora era fiscalizar os fundos, cobrando deles os resultados financeiros planejados, responder por eles juntos aos órgãos públicos, como a Comissão de Valores Mobiliários, Banco Central e Secretaria de Previdência Complementar, e liquidar as operações.

¿ Por isso, o nome dela aparece. Mas os prejuízos apurados pela CPI são infundados. A Prece não perdeu com os investimentos. Matematicamente, isso é impossível ¿ disse o gerente.

Paulo Martins disse que a criação de fundos exclusivos é uma prática usual dos fundos de pensão. No caso da Prece, ele disse que os ativos ficavam custodiados no Itaú, que calculava os preços dos investimentos. A decisão sobre as aplicações, neste caso, cabia aos gestores de cada fundo, cujos nomes o gerente não forneceu.