Título: EM QUEDA
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Fonte: O Globo, 11/12/2005, Opinião, p. 6
OComitê de Política Monetária (Copom) realiza esta semana a sua última reunião do ano, e a expectativa geral dos analistas econômicos aponta para uma redução de pelo menos 0,5 ponto percentual nas taxas de juros básicas. Talvez não seja ainda o momento para se comemorar, pois o Brasil continuará mantendo o título nada honorífico de campeão mundial dos juros.
No entanto, se a previsão dos analistas se concretizar, o Copom promoverá o quarto corte consecutivo sem que as projeções para a inflação do ano que vem tenham se alterado significativamente.
Desse modo, ao contrário de 2005, entraremos em 2006 com uma trajetória declinante nas taxas de juros.
No início deste ano, havia muitas dúvidas no mercado financeiro sobre a possibilidade de as metas de inflação serem alcançadas. As análises mais positivas consideravam difícil que o IPCA ¿ índice do IBGE usado como parâmetro para as metas ¿ recuasse para menos de 7%, o teto do objetivo perseguido pelas autoridades monetárias.
Quando o Banco Central ajustou a meta de 2005 para 5,1% a reação foi de ceticismo e se dizia que as autoridades deveriam buscar números mais realistas.
Mas felizmente a inflação cedeu e não fosse o efeito inevitável e temporário do reajuste dos preços dos combustíveis ocorrido em setembro provavelmente o IPCA chegaria agora em dezembro até abaixo dessa meta ajustada.
Como não há pressões inflacionárias latentes (até mesmo as cotações do petróleo permanecem estabilizadas, embora em patamar elevado), tudo indica que o alcance das metas de 2006 será bem mais tranqüilo.
Os chamados preços administrados (energia elétrica, serviços de água e esgoto, telefonia, transportes, etc.) devem ser reajustados por percentuais abaixo dos índices médios esperados para o ano.
A safra de grãos voltará a ser recorde e do câmbio não se espera um comportamento capaz de pressionar os indicadores de preços.
O maior desafio estará na dosagem adequada das taxas de juros para que a economia brasileira cresça mais substancialmente do que em 2005, mas sem pôr em risco os ganhos obtidos no combate à inflação.