Título: DÓLAR SOBE PELO QUARTO DIA SEGUIDO
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Fonte: O Globo, 13/12/2005, Economia, p. 23

Moeda fecha a R$2,26, em alta de 0,36%, com compras do BC e de bancos

RIO e BRASÍLIA. Uma atuação mais contundente do Banco Central (BC) nos mercados de câmbio à vista e futuro, a expectativa de queda dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) que termina amanhã e um forte movimento de compra de moeda liderado pelas tesourarias de bancos fizeram o dólar fechar em alta pelo quarto dia consecutivo. A moeda americana encerrou os negócios valendo R$2,26, com valorização de 0,36%. Nos últimos quatro dias, o dólar já avançou 3,81%. Para se ter uma idéia da intensidade do movimento, em todo o mês de março ¿ um dos poucos do ano em que a moeda encerrou em alta ¿ a valorização do dólar foi de 3,05%.

Segundo Ronaldo Guimarães, sócio da Cenário Investimentos, a atuação mais firme do BC no câmbio acabou detonando o movimento de correção de preços, após semanas de forte queda. Nas compras à vista da autoridade monetária, analistas comentam que o volume teria mais que dobrado, subindo de cerca de US$200 milhões diários para algo em torno de US$450 milhões nos últimos dias.

¿ O BC passou a defender a moeda mais fortemente, aumentando a carga de atuação no mercado. E acabou com aquela sensação de farra do câmbio, de que a moeda só poderia cair. Vimos que o BC tem armas importantes e pretende usá-las quando necessário. Com isso, os bancos, que apostavam fortemente numa queda do dólar, passaram a reavaliar suas estimativas, voltando a comprar moeda ¿ explica Guimarães.

Ontem, o BC vendeu 7.600 contratos de swaps cambiais (na prática, uma compra de moeda no mercado futuro), num total de US$365,3 milhões, e comprou dólares à vista por até R$2,264. Com a perspectiva de queda de juros amanhã há também uma migração dos investidores do mercado de juros para o de câmbio, em busca de ganhos adicionais.

Segundo a última pesquisa ¿Focus¿ do BC, feita semanalmente com cem instituições financeiras, o mercado manteve a expectativa de que o Copom reduzirá em 0,5 ponto percentual a Taxa Selic amanhã, o que levará os juros a encerrarem 2005 em 18% anuais. Mas há analistas que apostam em queda de até 0,75 ponto percentual. Além disso, de acordo com a pesquisa, os analistas revisaram para baixo ¿ pela sexta semana consecutiva ¿ a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 2,66% para 2,52%.

Já o risco-Brasil teve ligeira queda de 0,32%, para 315 pontos centesimais, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 0,15%.

Importações têm a maior média diária do ano

Ao contrário dos últimos meses, as importações tiveram mais vigor do que as exportações na segunda semana de dezembro. Com superávit semanal de US$643 milhões, a balança comercial divulgada ontem pelo Ministério do Desenvolvimento mostra que a média diária importada, de US$367 milhões, foi a maior do ano, com alta de 41,8% sobre dezembro de 2004 e 18,6% frente à semana anterior. A média exportada, de US$495,6 milhões, cresceu 37,7% frente ao mesmo mês de 2004, mas caiu 23,2% sobre a primeira semana. No mês, o superávit é de US$1,3 bilhão.

COLABORARAM: Eliane Oliveira e Patricia Duarte