Título: CAI SECRETÁRIO DE SEGURANÇA ENVOLVIDO EM GRAMPO
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 14/12/2005, O País, p. 14
Escuta telefônica na Rede Gazeta em Vitória ocorreu entre março e abril deste ano
VITÓRIA. O grampo telefônico na Rede Gazeta de Comunicação fez a primeira vítima. O secretário de Segurança do Espírito Santo, Rodney Miranda, foi afastado do cargo ontem à noite, um dia depois de o governador Paulo Hartung (PMDB) ter dado um prazo de 72 horas para que a polícia apontasse os culpados pela escuta no telefone da empresa. A interceptação telefônica foi pedida pela Polícia Civil e autorizada pela Justiça no inquérito que investiga o assassinato do juiz Alexandre Castro Filho, morto em 2003, em Vila Velha.
A escuta no telefone do grupo aconteceu nos meses de março e abril deste ano. O caso foi revelado na última sexta-feira pelo Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo, que recebeu uma denúncia anônima com cópias do material gravado. Desde então, o governo e a justiça estaduais se eximem de culpa. Segundo as autoridades, o telefone da Rede Gazeta foi identificado como sendo de uma empresa de material de construção, a Telhauto, de Vila Velha, investigada por uma suposta ligação com acusados de envolvimento no assassinato do juiz Alexandre Martins.
Na segunda-feira, o secretário de Segurança, a quem cabia administrar o uso do aparelho usado nas escutas telefônicas, atribuiu o erro à empresa Vivo, autorizada pelo Justiça para fazer a interceptação. A empresa disse seguiu rigorosamente o que foi pedido pela Justiça.
Uma CPI para apurar a instalação de grampos telefônicos, que já havia sido instalada no mês passado na Assembléia Legislativa, convocou quatro autoridades para depor amanhã: os delegados Danilo Bahiense, Fabiana Maioral e Cláudio Vitor, que pediram a quebra do sigilo telefônico, e o coronel Elton Barbosa, responsável pela escuta. O secretário afastado também será chamado para dar explicações.
Ontem, o diretor da Rede Gazeta de Comunicação, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto, foi à Polícia Federal pedir a apuração imediata da escuta telefônica feita nas empresas do grupo. Ele pediu também ao Tribunal de Justiça do Estado que retire o teor das gravações na Rede Gazeta do inquérito que apura a morte do juiz Alexandre Martins. O relator do processo, desembargador Sérgio Gama, atendeu ao pedido.