Título: GRUPO LIDERADO POR BRASIL FAZ ALIANÇA COM G-33
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 14/12/2005, Economia, p. 25

G-20 vai apoiar na OMC corte gradual das tarifas de 20% dos produtos agrícolas, defendida por países mais pobres

BRASÍLIA. Para enfrentar as resistências de Estados Unidos e União Européia (UE) na questão agrícola, o G-20, liderado pelo Brasil, fechou ontem uma aliança com os países em desenvolvimento que defendem proteção a produtos sensíveis ¿ o G-33 ¿ comprometendo-se a apoiar a proposta de redução lenta e gradual das tarifas de 20% dos itens agrícolas hoje comercializados no mundo. Assim, o G-20 espera que o G-33 ajude a pressionar os países ricos a pelo menos estabelecerem em Hong Kong uma data-limite para a total eliminação dos subsídios às exportações agrícolas.

Essa estratégia ganhou força ontem, abertura da reunião. Ficou acertado que o G-20 anunciará hoje seu apoio ao G-33, no momento em que o grupo apresentar sua proposta gradualista na reunião sobre agricultura. O encontro foi coordenado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Além do G-33, participaram da reunião representantes dos países africanos e caribenhos. Para o G-20, é preciso concluir o acordo agrícola até, no máximo, abril de 2006.

¿ Com isso, neutralizamos os EUA e a UE e aumentamos a pressão sobre eles. Trabalharemos de forma coordenada com o G-33 ¿ disse por telefone de Hong Kong, após a reunião, o assessor internacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Laudemir Müller.

Tanto o G-20 como o G-33 são formados por países em desenvolvimento. Índia e Indonésia, por exemplo, estão nos dois grupos. O G-20 é mais liberal, pois quase todos os seus integrantes são exportadores competitivos e admitiam, até ontem, dar um tratamento diferente, com um cronograma mais demorado de redução de tarifas, para até 15% dos itens agrícolas comercializados no mundo. O G-33, menos competitivo, quer um percentual maior, de 20%, para proteger os agricultores de seus países. Essa taxa foi acertada ontem.

G-20 acusa países ricos de distorcerem os mercados

Também foram discutidos a ajuda aos países mais pobres e o tratamento diferenciado para as economias menos desenvolvidas. Enquanto americanos e europeus acenavam com uma oferta de fundos, o Brasil e seus sócios no Mercosul estavam dispostos a abrir seus mercados para as importações de produtos africanos e caribenhos livres de impostos ou cotas. Isso atrairia o apoio desses países.

Em nota distribuída ontem, o G-20 afirmou que não abrirá mão de uma negociação ¿de baixo para cima¿ e acusou os países ricos de distorcerem os mercados com tarifas altas e subsídios às exportações. A nota afirma que a agricultura é o tema central da Rodada de Doha.