Título: COMÉRCIO ESTAGNADO NO INÍCIO DO 4º TRIMESTRE
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 15/12/2005, Economia, p. 32
IBGE diz que vendas em outubro refletiram renda e dívidas de clientes. Supermercados vêem queda em novembro
O varejo ficou estagnado no início do último trimestre do ano, depois de a economia brasileira encolher 1,2% entre julho e setembro. O volume de vendas do comércio variou só 0,06% em outubro em relação ao mês anterior, já com ajuste sazonal. Segundo o IBGE, o desempenho reflete a queda de renda de 1,4% em outubro e o aumento do endividamento dos consumidores.
No acumulado do ano, porém, o varejo ainda avança 4,82% ¿ menos do que os 4,95% do mês anterior. Já a receita nominal subiu 0,29% em outubro sobre setembro, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada ontem pelo instituto. Na apuração com ajuste sazonal, o único resultado positivo foram as vendas de hipermercados e supermercados (0,38%).
¿ Houve uma desaceleração no ritmo da economia e a pesquisa também apontou para isso ¿ disse Reinaldo Pereira, economista do IBGE.
Alta de preços de combustíveis afeta consumo
Dos oito grupos da PMC, sete apresentaram recuo em outubro, ao comparar com o mesmo mês de 2004 (sem ajuste sazonal). A exceção foi o setor de equipamentos e material para escritório (69,85%), o que, segundo Pereira, pode ser conseqüência do câmbio.
¿ O Dia da Criança também pode ter influenciado esse resultado, graças à compra de jogos eletrônicos, que entram nesse grupo ¿ disse Pereira.
O grupo de combustíveis e lubrificantes apresentou variação de - 9,08% em relação a outubro de 2004 ¿ trata-se da décima queda consecutiva.
¿ A alta dos preços do combustível inibe o consumo ¿ afirmou o economista.
A renda menor, acrescentou ele, também trouxe impactos na venda dos supermercados. Em outubro, o volume de vendas do setor foi de 1,43%, contra os 3,86% de setembro.
¿ Já o efeito do endividamento do consumidor fica claro no setor de móveis e eletrodomésticos, que registrou 11,94%. Em setembro, a variação foi de 12,28%. As pessoas têm um limite para se endividar ¿ explicou Pereira.
Abras: dezembro deve registrar avanço nas vendas
Pereira disse que o parcelamento favoreceu a compra de aparelhos de DVD e celulares, por exemplo, pelo consumidor.
¿ Mais gente tem esses tipos de aparelhos. Com isso, o parcelamento acaba atingindo itens mais caros.
Segundo João Carlos Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a expectativa é para um fim do ano mais positivo.
¿ Ainda não temos os números de novembro, mas é possível que fechemos em queda. Já com as compras de Natal começando nesta sexta-feira, dezembro deve ser positivo. E isso levará o setor a aumentar de 1,5% a 2% as vendas de 2005 contra 2004.