Título: POLÍCIA CIVIL DESTRÓI MAIS DE 200 MIL CDS, DVDS E SOFTWARES PIRATAS NO RJ
Autor: Carlos Vasconcelos
Fonte: O Globo, 17/12/2005, Economia, p. 36

Prisões por crime contra propriedade intelectual triplicaram no estado

A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial promoveu ontem a destruição de mais de 200 mil CDs, DVDs e softwares piratas apreendidos ao longo do ano no Rio de Janeiro, em ações apoiadas pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) e pela Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (Adepi), entre outras. Os restos do material destruído serão vendidos para reciclagem, e o dinheiro arrecadado será distribuído para instituições de caridade.

Segundo o delegado Marco Aurélio Ribeiro, de janeiro a novembro, a delegacia especial apreendeu mais de um milhão de produtos piratas no estado.

¿ Também aumentamos o número de prisões ¿ disse Ribeiro. ¿ Em 2004, foram 50. Este ano, até novembro, já foram 170 prisões em flagrante e mandados expedidos.

Ribeiro explica que a delegacia aumentou de 15 para 40 agentes o seu efetivo, e de um para oito carros disponíveis. Com isso, a unidade passou a contar com seu próprio setor de inteligência. O delegado explica que a destruição dos produtos não apenas tem um caráter educativo como ajuda a desafogar os depósitos onde o material apreendido é guardado.

¿ À medida que a repressão aumenta, o volume cresce e o custo desse armazenamento também ¿ explicou Ribeiro.

Segundo a advogada da Abes Carolina Marzano, o aumento da repressão tem ajudado a reduzir a pirataria.

¿ Se não fosse por isso, o problema seria muito pior.

Apesar dos esforços das autoridades contra os piratas, os empresários não parecem convencidos dos efeitos da fiscalização. Uma pesquisa da Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro com seus associados, realizada no fim de novembro, revela que 50% dos empresários consideram ruim ou péssimas as atuais medidas tomadas contra a pirataria no país. Apenas 5% consideraram boas as medidas. Ao todo, 40% disseram que foram muito prejudicados pela pirataria. Segundo a Câmara, 55% dos entrevistados acreditam que o problema pode ser solucionado em curto prazo.