Título: DÍVIDA EXTERNA PRIVADA CAIU 36,4%
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 17/12/2005, Economia, p. 39

Em cinco anos, volume passou de US$124 bilhões para US$79 bilhões

BRASÍLIA. O endividamento externo do setor privado no Brasil teve uma queda de 36,4% nos últimos cinco anos, segundo estudo preparado pelo Tesouro Nacional e divulgado ontem. O documento mostra que, em dezembro de 2000, a dívida contraída no exterior por empresas e bancos era de US$124,6 bilhões, passando para US$79,2 bilhões em setembro deste ano. Segundo o Tesouro, esse movimento contribuiu significativamente para a queda do débito internacional do país ¿ ou seja, incluindo o setor público.

O documento ¿ que foi enviado pelo governo brasileiro às agências de classificação de risco e investidores estrangeiros como forma de ajudar a melhorar a imagem do país no exterior ¿ também destaca que as empresas no país conseguiram alongar o prazo de suas dívidas, que passou de uma média de 21,9 meses em 2000 para 69,8 meses em 2005. Quanto maior o prazo, mais fácil a administração e maior a capacidade de os débitos serem honrados.

Bom desempenho da balança comercial ajudou na redução

O governo brasileiro ressaltou ainda o bom desempenho da balança comercial no processo de redução do endividamento em moeda estrangeira das empresas. A relação entre a dívida externa do setor privado e exportações, por exemplo, caiu de 226% em 2000 para 71% em 2005 ¿ uma queda de 68,5% no período.

A divulgação do trabalho aos investidores e agências de classificação também faz parte da estratégia do governo para fazer com que o país chegue ao grau de investimento (nota dada aos países nos quais as instituições recomendam investir). Pela agência Fitch, por exemplo, o Brasil está hoje a três graus do investment grade. A agência classifica o país como BB-, sendo que para chegar ao grau de investimento ele teria que subir para BB, BB+ e BBB-. A Standard & Poor¿s também classifica o país como BB-.

Não é só o setor privado que contribui para que o Brasil melhore sua imagem no exterior. Esta semana, o governo anunciou que vai antecipar o pagamento de sua dívida de US$15,5 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso permitirá que a dívida pública externa fique abaixo de US$100 bilhões depois de quatro anos.