Título: DÓLAR COMPLETA NOVE DIAS DE ALTA E JÁ VALE R$2,38
Autor: Patrícia Duarte/Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 20/12/2005, Economia, p. 23

Moeda atingiu maior nível em 3 meses e meio. Bolsa cai e Embraer obtém grau de investimento

RIO e BRASÍLIA. O dólar cravou ontem o nono dia seguido de valorização frente ao real, atingindo a maior cotação em três meses e meio. Nos últimos nove dias, a moeda americana acumula alta de 9,42%. O dólar fechou próximo à máxima do dia (R$2,385), em alta de 1,93%, cotado a R$2,382 para venda. A forte atuação do Banco Central (BC) nos mercados de câmbio futuro e à vista, as compras de moeda pelas tesourarias de bancos e o ritmo menor de captação de recursos de empresas brasileiras no exterior contribuíram para a alta dos últimos dias. No ano, o dólar cai 10,25%.

- As empresas já anteciparam, nos meses anteriores, a captação de recursos no exterior. Com isso, agora, em dezembro, caiu bastante o volume de entrada de dólares. Com as compras do BC e dos bancos, criou-se um desequilíbrio entre compra e venda, com a primeira superando largamente a segunda, daí a pressão sobre as cotações - explica José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação.

O BC vendeu ontem US$461,6 milhões em swaps cambiais (operação que funciona como compra de moeda no mercado futuro) e comprou dólares à vista por até R$2,377.

Nos demais mercados, novo dia de correção nos preços dos ativos, após a forte alta das últimas semanas - quando Bolsa, títulos da dívida e risco-país atingiram níveis recordes. Ontem, o risco-Brasil subiu 0,32%, para 317 pontos centesimais e o Global 40, título mais negociado da dívida externa brasileira, ficou estável em 126,6% do valor de face. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a subir 0,55% pela manhã, impulsionada pelo vencimento, ontem, de opções de ações, mas acabou fechando em queda de 0,86%.

BC: mercado vê alta menor do PIB este ano, de 2,48%

A agência de classificação de risco Moody's concedeu ontem à Embraer a nota de crédito Baa3 em moedas local e estrangeira. Com isso, a empresa atinge o chamado grau de investimento, segmento mais elevado na escala de classificação de risco, que significa baixo risco de crédito, sem elementos especulativos. A melhora na nota pode reduzir o custo de captação da empresa.

O tropeço no trimestre passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas no país) recuou 1,2%, ainda tem reflexos nas expectativas do mercado. Segundo o relatório semanal Focus, do BC, divulgado ontem, a expectativa média de crescimento da economia brasileira para 2005 ficou em 2,48%, abaixo da estimativa anterior de 2,52%. Foi a sétima revisão consecutiva para baixo.

Além do recuo do PIB, pesa a estagnação da industria em outubro, levantada pelo IBGE. Para 2006, porém, o mercado mantém a projeção de expansão do PIB em 3,50%, sobretudo devido à expectativa de inflação sob controle, o que não exigiria política monetária tão rígida.

COLABOROU: Patrícia Duarte