Título: BRADESCO VENCE LEILÃO DO BANCO DO ESTADO DO CEARÁ COM R$700 MILHÕES
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 22/12/2005, Economia, p. 36
Venda foi adiada três vezes. Diretor do BC diz que não há risco jurídico
SÃO PAULO. O Bradesco pagou ontem R$700 milhões pelo controle do Banco do Estado do Ceará (BEC), que estava sob administração do Banco Central (BC) desde maio de 1999. O ágio em relação ao preço mínimo fixado pelo BC foi de 29%. Adiado três vezes, o leilão de privatização só ocorreu depois que a presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, aceitou recurso do governo e derrubou ação que beneficiava o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Ceará (Seeb).
O diretor de Liquidação e Desestatização do BC, Antonio Gustavo do Valle, afirmou que não há "risco jurídico" de cancelamento da venda.
- A venda aconteceu dentro da normalidade jurídica do país - disse ele, depois do leilão, feito na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Além do Bradesco, estavam habilitados para a disputa o Itaú, o Unibanco e a GE Capital. Na primeira etapa do leilão, só Bradesco e GE Capital apresentaram envelopes com suas propostas. Como a diferença entre elas foi inferior a 20%, os lances passaram a ser feitos em viva-voz. Numa disputa acirrada, a venda foi sacramentada depois de dez lances, quando o Bradesco ofereceu os R$700 milhões. A última proposta da GE Capital foi de R$665 milhões.
- Pagamos um preço justo. Nossa participação é pequena no Ceará frente à expansão da economia no estado - disse o diretor-executivo do Bradesco, Sergio de Oliveira.
Com a compra, o Bradesco passa de 26 para 95 agências e de 281 mil para 869 mil correntistas no Ceará. Destes, 117 mil são funcionários públicos que recebem seus salários no banco. Outro atrativo do BEC é o potencial da carteira de crédito, ainda concentrada em pessoas físicas. Dos R$263 milhões em empréstimos, apenas 3% foram tomados por empresas.
Bradesco nega possibilidade de fechamento de agências
O diretor do Bradesco negou a possibilidade de fechamento de agências ou demissões de funcionários. Depois do BEC e do Banco do Estado do Maranhão (vendido em fevereiro do ano passado), o BC ainda quer privatizar os bancos do estado do Piauí (BEP) e de Santa Catarina (Besc), mas não existe uma data para isso. Vale, do BC, admitiu que dificilmente haveria condições de realizar um novo leilão ainda em 2006.
- Não acredito que exista perspectiva de vender (uma das duas instituições) em 2006, dada a complexidade do processo, que leva em média um ano, e porque em 2006 temos eleições.
Braço do grupo General Electric, a GE Capital divulgou nota dizendo que mantém seu interesse em aumentar sua presença no país - hoje com a financeira GE Money.
Inclui quadro: "Conheça o BEC" [OS NÚMEROS DO BANCO]