Título: DESEMPREGO CONGELADO NA VÉSPERA DO NATAL
Autor: Mariza Louven
Fonte: O Globo, 22/12/2005, Economia, p. 37

Taxa em novembro ficou em 9,6%, completando seis meses de estagnação. Já rendimento médio subiu 0,4%

A taxa de desemprego ficou em 9,6% em novembro, permanecendo praticamente a mesma durante seis meses consecutivos, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O comportamento continua surpreendendo analistas, numa época do ano em que costumam crescer as contratações temporárias para o Natal. Juros altos, crise política e carga tributária elevada podem ter impedido a abertura de novos postos de trabalho, analisou o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo.

Já o rendimento médio real do trabalhador chegou a R$974,50 em novembro, elevação de 0,4% em relação ao mês anterior e de 2,1% frente a outubro, revelou a pesquisa do IBGE, que abrange seis regiões metropolitanas. Trata-se do melhor resultado, neste mesmo mês, em três anos do governo Lula. Ainda assim, não chegou a superar os R$1.069,86 registrados em novembro de 2002, ano eleitoral e o último do governo Fernando Henrique Cardoso.

- O aumento do rendimento pode ser explicado pela inflação baixa e pela não contratação de temporários, cujos rendimentos são mais baixos - explicou Azeredo. - Mas acredito que a taxa ainda poderá cair em dezembro.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o aumento do rendimento é explicado, quase totalmente, por São Paulo. Naquela região metropolitana, o valor chegou a R$1.108,90, 2,2% maior que em outubro e 2,1% que em novembro de 2004.

Nas demais regiões pesquisadas houve queda: Recife (3,8%), Rio de Janeiro (0,9%) e Porto Alegre (2,0%); estabilidade (em Belo Horizonte); ou aumento modesto, em Salvador (0,5%). As mulheres, com renda média de R$792,50, ficaram muito atrás da remuneração dos homens (R$1.115,50).

IBGE: cresceu o emprego com carteira assinada

Tanto o contingente de desocupados ficou estabilizado em relação a outubro, em torno de 2,1 milhões de pessoas, quanto o de trabalhadores ocupados, em 20,1 milhões. Este grupo cresceu 2% em relação ao mesmo mês de 2004, ou seja, mais 391 mil pessoas conseguiram trabalho. Este resultado foi puxado principalmente por Belo Horizonte, com alta de 2,1%, e Porto Alegre, de 3,8%.

- Estamos diante de um quadro de seis meses de taxas de desocupação idênticas. O positivo é que, apesar de o nível de atividade ter ficado igual, aumentou o emprego com carteira assinada, especialmente no Rio - disse Azeredo.

A metodologia do IBGE para o cálculo da taxa de desocupação difere da empregada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), segundo o qual a taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo caiu de 16,9% para 16,4% da População Economicamente Ativa (PEA) em novembro. O IBGE, considera ocupado quem fez bico, por exemplo.

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