Título: A disputa tucana
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 31/12/2005, O GLOBO, p. 2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva termina o ano em baixa. Outrora favorito à reeleição, nas pesquisas de intenções de voto fica atrás do prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ganha competitividade. Paradoxalmente, a situação eleitoral favorável à oposição contribui para recrudescer a disputa interna pela candidatura no PSDB.

As equipes de marketing dos tucanos se entregam a uma batalha na mídia. Os aliados de Serra dizem que com ele a vitória é certa. Os adeptos de Alckmin alardeiam que ele é o candidato que mais cresce nas pesquisas. Entre os dirigentes e líderes do partido que, em março, terão de sentar na mesa para definir o candidato, começa a prevalecer o entendimento de que ambos ganham as eleições, com um ligeiro favoritismo para Serra. Eles resumem a situação política dizendo: ¿Serra se distancia de Lula e Alckmin se aproxima¿. Nesse contexto, avaliam que não se trata mais de avaliar quem ganha, mas qual o candidato que assumirá o compromisso de incorporar todo o partido num eventual novo governo.

Os tucanos de vários estados afirmam que não aceitam mais a postura de semi-Deus assumida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles dizem que os pré-candidatos precisam reconhecer o peso do partido na construção da vitória. Lembram que desta vez nenhum deles tem um Plano Real nas costas e, por isso, será inaceitável a tentação de se formar um novo paulistério, um ministério com o predomínio de paulistas. Acrescentam que a oposição parlamentar teve um papel insofismável no desmantelamento da imagem do governo e na criação do atual ambiente eleitoral.

Além disso, o desempenho do ex-governador Anthony Garotinho, como candidato do PMDB, também terá reflexos na escolha do PSDB. Depois de ouvir vários consultores de marketing, integrantes da direção tucana chegaram a conclusão que Garotinho pode se tornar um candidato indigesto caso vença as prévias e saia candidato da convenção do PMDB. Avaliam que não se pode subestimar Garotinho, que nesse momento ainda é um candidato sem partido. Nesse caso, são dois os cenários existentes com as condições de hoje. Se o candidato do PSDB for Alckmin, ele disputaria a vaga no segundo turno com Garotinho. Se o candidato for Serra, o ameaçado de ficar de fora do segundo turno seria o presidente Lula.