Título: FOCO NOVO NA CPI DOS CORREIOS EM 2006
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 02/01/2006, O País, p. 4
Fundos de pensão vão para a berlinda; dirigentes de Prece e Nucleos vão prestar depoimento
BRASÍLIA. Depois de pôr pelo menos 20 parlamentares na berlinda e derrubar mais de 40 integrantes do PT no governo e empresas estatais, as investigações sobre o escândalo do mensalão vão se concentrar no início de 2006 em tentar descobrir os responsáveis pelas perdas que ultrapassam R$750 milhões nos fundos de pensão. A agenda na CPI dos Correios para janeiro prevê depoimentos de dirigentes da Prece, fundo de pensão dos funcionários da Cedae, do Nucleos, fundação das empresas ligadas ao setor de energia nuclear, e das corretoras Euro, Quantia, Dillon e Laeta, que fizeram operações com as entidades.
O sub-relator responsável pelos fundos, Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), pretende ainda neste mês concluir um relatório sobre os prejuízos que os fundos tiveram em negócios com títulos públicos e apresentar documento para tratar dos investimentos feitos pelas fundações nos bancos Rural e BMG.
Em fevereiro, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), pretende apresentar o relatório final da comissão. Serraglio quer neste documento indiciar o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares por falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, fraude em licitações e corrupção passiva. Dois dos principais personagens da investigação, Valério e Delúbio deverão encabeçar uma longa lista de indiciados pela CPI. Serraglio pretende citar no relatório todos os dirigentes de empresas estatais nas quais foram constatadas irregularidades na execução dos contratos investigados pela CPI. Um exemplo citado pelo próprio deputado é o do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que perdeu o cargo no dia 14 de julho depois de ter sido divulgado que ele recebeu R$300 mil do esquema organizado por Delúbio e Valério.
A CPI deve tratar de problemas também encontrados no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), na Secretaria de Comunicação da Presidência e no PT. A CPI também deve propor medidas de combate a corrupção no governo. A tarefa ficou a cargo do deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), que, para isso, vai ouvir representantes da Polícia Federal, do Tribunal de Contas, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras e do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça.
O indiciamento pela CPI não garante responsabilização criminal. O relatório da comissão vai para o Ministério Público Federal. Os procuradores poderão apresentar denúncias ao Judiciário, se convencidos pelas provas, mandar o relatório para a Polícia Federal, ou arquivá-lo.