Título: Congresso começa 2006 em recesso branco
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 02/01/2006, O País, p. 4
Orçamento deste ano só voltará a ser discutido no dia 17; apenas CPI dos Correios tem audiências previstas
BRASÍLIA. O Congresso Nacional, convocado extraordinariamente desde o dia 16 de dezembro a um custo que beira os R$100 milhões, estará em recesso branco nesta primeira semana do ano. O Orçamento de 2006, peça mais importante para o andamento dos projetos do poder público, só voltará a ser discutido e sua votação retomada no dia 17. As audiências do Conselho de Ética da Câmara, que julga 11 deputados acusados de envolvimento no esquema do valerioduto, serão retomadas a partir do dia 9 de janeiro.
Na semana passada, alguns integrantes da Comissão Mista de Orçamento ainda se reuniram e tentaram votar três relatórios parciais do Orçamento de 2006. As ameaças da oposição de derrubar o quórum, aliadas à dificuldade de empenho das emendas dos parlamentares da base aliada acabaram inviabilizando as votações. Apenas o relatório parcial da Agricultura, um dos dez relatórios do Orçamento, foi votado.
Relator do Orçamento diz que está exausto
Segundo o relator do Orçamento, deputado Carlito Merss (PT-SC), a convocação extraordinária do Congresso prejudicou a votação do Orçamento. Para Carlito, quatro dos relatores parciais, ao saber que o texto principal só poderia ser votado a partir do dia 17 de janeiro, pediram mais prazo para concluir seus trabalhos. Na opinião do deputado, o recesso branco é importante porque este foi um ano desgastante para o Congresso e ele, como relator, também está exausto.
¿ Nós tentamos votar todo o Orçamento antes do final do ano, mas a oposição boicotou. Agora, vamos retomar os trabalhos e tentar votar em janeiro ¿ afirmou o relator.
A oposição nega o boicote e afirma que a falta de votação da peça orçamentária é de responsabilidade do governo e dos relatores parciais. Os oposicionistas dizem que estes documentos não foram aprontados a tempo para serem discutidos e aprovados.
¿ Não aceitamos votar nada de forma açodada, nem os relatórios estavam prontos. Na convocação vamos votar os relatórios parciais e também o Orçamento, mas de forma refletida ¿ avisa o líder do PFL, José Agripino Maia (RN).
O Congresso só não estará totalmente entregue às moscas esta semana porque estão previstos três depoimentos numa das sub-relatorias da CPI dos Correios. O sub-relator de Contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), ouve amanhã os depoimentos de Reginaldo Menezes Fernandes, Éder Jouber Ribeiro Cabo Verde e Carlos Alberto Taveira Cortez. Éder e Reginaldo são funcionários da empresa Skymaster. Taveira Cortez é sócio-administrador da empresa Cortez Câmbio e Turismo.
A Skymaster, que trabalha na área de transporte de cargas aéreas, é acusada de superfaturar os contratos que realizou com os Correios para o transporte aéreo noturno. O segurança da Cortez, Francisco Marques Carioca, ouvido semana passada pela CPI, contou que sacou R$1.036 milhão das contas da Skymaster entre 2001 e 2002. A CPI suspeita da ligação da casa de câmbio para mandar recursos da Skymaster para o exterior.