Título: Obras para armar o palanque
Autor: Luiza Damé
Fonte: O Globo, 04/01/2006, O País, p. 3
Lula reúne ministros e anuncia investimentos em seis hidrelétricas e duas ferrovias
Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o ano eleitoral ontem com um pacote de obras, incluindo seis usinas hidrelétricas e investimentos em duas ferrovias. Na primeira grande reunião de trabalho do ano, com seis ministros e o presidente do BNDES, de manhã no Palácio do Planalto, o presidente determinou prioridade absoluta para grandes obras das áreas de transporte e de energia. As obras de infra-estrutura serão lançadas ou executadas ao longo do ano de 2006, quando Lula, segundo ele próprio já afirmou, pretende subir em muitos palanques para divulgar projetos e programas de seu governo.
Incluindo a operação de emergência nas estradas, que começa segunda-feira, ao custo de R$440 milhões, o canteiro de obras federais terá a construção de ferrovias e usinas hidrelétricas que só em 2006 terão investimentos de mais de R$3,7 bilhões (não incluindo R$20 bilhões para grandes hidrelétricas no Rio Madeira). Depois da reunião coube à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciar o resultado de quatro horas de discussão.
¿ Na nossa avaliação, investimentos em infra-estrutura são cruciais para o desenvolvimento sustentável do país ¿ disse a ministra.
Lembrando que as rodovias ainda são o principal eixo de escoamento de produtos e deslocamento de pessoas, Dilma justificou a decisão do governo de dar especial atenção ao programa emergencial de recuperação das rodovias. Ela rebateu críticas de que o governo esperou muito tempo para dar início à recuperação das estradas, que estão em péssimas condições, e deixou para adotar medidas no ano eleitoral. A ministra atribuiu a situação à herança do governo anterior:
¿ Nós recebemos 36 mil quilômetros de estradas sucateadas, o país numa crise brutal, uma espécie de apagão na área de planejamento de rodovias porque não havia projetos.
¿Trabalho arrojado¿ nas ferrovias
No setor de ferrovias, a prioridade é a conclusão das ferrovias Norte-Sul e Transnordestina. Na Norte-Sul, lançada no governo José Sarney, deve ser construído o trecho de 150 quilômetros entre Aguiarnópolis (MA) e Araguaína (TO), ao custo de R$350 milhões. O trecho até Palmas (TO), mais 355 quilômetros, ficará para 2007.
Na Transnordestina, que liga Eliseu Martins (PI) aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), a previsão é gastar R$500 milhões até o fim de 2006.
¿ O Brasil não faz investimento desse porte em ferrovia há pelos menos 25 anos. Nesse setor, o governo faz um trabalho arrojado ¿ disse Dilma.
A construção de duas hidrelétricas no Rio Madeira, com custo estimado de R$20 bilhões, também foi debatida na reunião. Foi criado um grupo de trabalho interministerial para cuidar da licitação para construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, no mês de maio. Se esse cronograma for cumprido, a previsão é que as obras sejam iniciadas em novembro. Juntas, as duas hidrelétricas vão gerar quatro mil megawatts de energia. Lula não poderá inaugurá-las, mas certamente participará de atos de início de cada uma dessas obras.
Em maio também deverá ser feita a licitação para construção de outras quatro usinas nos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro, com capacidade para 752,1 megawatts. A licitação dessas usinas estava marcada para dezembro, mas o processo foi interrompido por decisões judiciais e problemas no licenciamento ambiental. Nesse lote estão as usinas de Mauá (PR), Dardanelos (MT), Barra do Pomba (RJ) e Cambuci (RJ).
Outra decisão do governo é fazer, até 5 de abril, leilão para exploração de oito trechos de rodovias federais.
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