Título: CPI: DEPOIMENTOS REFORÇAM TESE DE PROPINA
Autor: Gerson Camarotti e Isabel Braga
Fonte: O Globo, 04/01/2006, O País, p. 4
Funcionários da Skymaster, acusada de corrupção nos Correios, confirmam saques
BRASÍLIA. Os depoimentos prestados ontem à CPI dos Correios por funcionários da Skymaster reforçaram a tese dos parlamentares de que pelo menos parte dos cerca de R$30 milhões sacados em espécie da conta da empresa nos últimos anos serviram para o pagamento de propina, inclusive para funcionários públicos. A suspeita é de que parte desse dinheiro foi repassada a dirigentes dos Correios que facilitaram licitações e superfaturaram preços de serviços. A Skymaster é acusada de práticas irregulares em licitações para o contrato com o Correio Aéreo Noturno.
No primeiro depoimento, o motorista da Skymaster Eder Jouber Ribeiro Cabo Verde confirmou à CPI ter feito mais de 50 saques para a empresa. Ele disse ter obedecido ordens de Reginaldo Reges Menezes, encarregado do departamento financeiro da Skymaster, mas declarou desconhecer o valor total dos saques.
O sub-relator de Contratos da CPI, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), informou que, de 24 de setembro de 2002 até 26 de abril de 2005, foram sacados R$3,8 milhões, e que os saques foram efetuados, em sua maioria, numa das agências do Banco Real em Manaus.
No segundo depoimento, Reginaldo Menezes também confirmou que sacava dinheiro regularmente de contas da empresa. O total de saques em nome de Reginaldo é de R$1,3 milhão.
Ele contou que a solicitação era feita pelo diretor da Skymaster João Marcos Pozzetti, para pagar empregados e fornecedores. Perguntado sobre os fornecedores que recebiam em dinheiro, Reginaldo lembrou só da Force Filds, empresa que, segundo o deputado Cardozo, tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas.
¿ Os depoimentos mostram que não há fornecedores que eram pagos com dinheiro vivo, o que desmente a tese inicial da Skymaster ¿ disse Cardozo.
Nota da Skymaster fala em vingança de um demitido
A Skymaster divulgou nota ontem na qual afirma que não há qualquer irregularidade nos saques confirmados pelos dois funcionários e diz que as informações à CPI foram dadas por um falsificador que quer se vingar por ter sido demitido.