Título: MERCADO FINANCEIRO TEM DIA DE NOVOS RECORDES
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 05/01/2006, Economia, p. 19

Risco-país cai 2,68% e atinge 291 pontos centesimais. Global 40 é o maior da história e Bolsa chega a 35 mil pontos

Os principais indicadores financeiros brasileiros ¿ risco-Brasil, Bolsa e títulos da dívida externa ¿ atingiram ontem seus melhores níveis históricos, diante da expectativa de que o ciclo de aperto monetário nos EUA esteja próximo do fim, como indicado na ata do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), divulgada anteontem. As estimativas de acomodação dos juros americanos num patamar ainda bastante baixo ¿ 4,25% ao ano ¿ mantém a atratividade dos mercados emergentes, onde o investidor tem buscado ganhos mais elevados.

O risco-Brasil caiu 2,68% ontem, para 291 pontos centesimais, o menor nível desde que o indicador começou a ser calculado pelo banco JP Morgan, em abril de 1994. O Global 40, título mais negociado da dívida externa brasileira, avançou 0,58%, cotado a 130,15% do valor de face e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atingiu o segundo recorde em pontos de 2006: 35.002, uma alta de 1,34%. O movimento, dizem os analistas, foi impulsionado pelas compras de investidores estrangeiros.

Dólar cai pelo segundo dia consecutivo

O Efeito-Fed também fez eco no mercado de câmbio, apesar de duas novas investidas do Banco Central (BC). A expectativa de ingresso de recursos de investidores estrangeiros no país fez a moeda americana operar em queda durante todo o dia, para fechar na mínima de R$2,291, com desvalorização de 1,72% em relação ao real. Foi o segundo dia consecutivo de perdas. O BC fez ontem um novo leilão de swap cambial reverso ¿ na prática, uma compra de dólares no mercado futuro de câmbio ¿ no total de US$409 milhões (8.600 títulos). Também atuou no mercado à vista, comprando moeda por até R$2,297.

Hoje, o BC fará um novo leilão de swaps. Oferecerá 8.800 contratos aos investidores, numa operação estimada em US$400 milhões. Será o 35º leilão deste tipo desde o ano passado.

¿ O ano, que havia começado com uma perspectiva de correção nos mercados após os seguidos recordes de 2005, ganhou novo gás com a ata do Fed. A procura por papéis brasileiros têm sido enorme nos últimos dois dias e a elevada demanda já abre espaço para rumores de uma nova emissão do governo brasileiro, possivelmente em reais ¿ diz Felipe Brandão, diretor de mercados emergentes da corretora inglesa Garban/Icap.