Título: RESSURGE ACUSAÇÃO DE CORRUPÇÃO
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Fonte: O Globo, 05/01/2006, O Mundo, p. 23

JERUSALÉM. O segundo derrame de Ariel Sharon ocorreu num momento em que o primeiro-ministro se encontrava sob forte pressão. Uma antiga investigação sobre corrupção que parecia esquecida ganhou força ontem depois que a polícia pediu à Justiça autorização para investigar os dados do computador do milionário austríaco Martin Shlaff. Além disso, o deputado Omri Sharon, seu filho, renunciou anteontem por ter prestado falso testemunho durante investigação sobre um escândalo de corrupção e falsificação de documentos.

As suspeitas são de que a família de Sharon teria recebido US$3 milhões de doadores estrangeiros para financiar campanhas passadas. Mas um porta-voz da polícia informou que a corte teria negado o acesso ao computador, confiscado durante uma visita do executivo a Israel.

Há anos a polícia tenta rastrear os fundos estrangeiros que, suspeita-se, Sharon teria usado para pagar contribuições ilegais de campanha recebidas em 1999.

O porta-voz de Sharon, Lior Horev, classificou o pedido da polícia de ¿um procedimento sem sentido¿.

¿ O primeiro-ministro não foi questionado nem por um minuto sobre essas investigações ¿ afirmou Horev.

Sharon sempre negou qualquer irregularidade nos financiamentos. Mas os parlamentares da oposição fizeram um apelo à Procuradoria-Geral de Israel para que as investigações sejam encerradas antes das eleições de março. Ontem à noite, entretanto, após o derrame sofrido por Sharon, poucos acreditavam que o premier pudesse voltar à política.