Título: CAOS E MORTE NA PASSAGEM PARA O EGITO
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Fonte: O Globo, 05/01/2006, O Mundo, p. 23

Palestinos derrubam parte de muro na fronteira e ao menos 2 guardas egípcios morrem em choques

CIDADE DE GAZA. Milicianos palestinos roubaram dois tratores e abriram ontem dois grandes buracos no muro erguido na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, num episódio que resultou na morte de dois guardas egípcios e aprofundou ainda mais a sensação de que a anarquia reina na região. Os revoltosos eram membros das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa (ligado à Fatah), furiosos com a prisão de um dirigente local suspeito de participar do seqüestro de três britânicos, ocorrido na última semana.

Armados, os revoltosos bloquearam a passagem de Rafah, que leva ao Egito, por mais de uma hora e tomaram prédios do governo palestino na fronteira. Eles só deixaram os prédios depois de obterem uma promessa oficial de libertação de Ala al-Hams.

Ao menos trezentos palestinos passaram pela abertura na fronteira, enquanto policiais egípcios atiravam para o alto. Numa troca de tiros com extremistas palestinos armados, dois guardas egípcios foram mortos e 25 ficaram feridos.

Uma fonte do Exército egípcio afirmou que cerca de três mil agentes de segurança do país correram para a fronteira imediatamente após receberem a informação sobre a derrubada de parte do muro, mas foram repelidos por militantes palestinos armados. O brigadeiro Adel Fazwi afirmou que as forças egípcias não tinham ordens de atirar e não conseguiram parar a multidão.

A polícia egípcia prendeu cerca de cem palestinos após os choques, enquanto outros retornaram espontaneamente para Gaza.

Ministro israelense diz que poderia negociar com Hamas

O episódio foi mais um sinal do caos que se instalou na Faixa de Gaza após a retirada israelense em setembro passado. Israel advertiu que fechará a passagem de Rafah se o Egito ou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não fecharem a abertura.

Apesar da violência e do caos em Gaza, o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, afirmou ontem que seu país poderia manter conversações com o grupo extremista palestino Hamas no futuro, caso seus militantes concordem em se desarmar e reconhecer o direito do Estado israelense de existir.

Analistas afirmam que as declarações de Mofaz, divulgadas pelo Canal 2 da TV israelense, sugerem que Israel prevê uma vitória significativa do Hamas nas eleições legislativas previstas para o dia 25 de janeiro. O Hamas é considerado o principal adversário da facção política Fatah, do presidente da ANP Mahmoud Abbas.