Título: PREÇOS DE CARROS NOVOS SOBEM ATÉ 3%
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 07/01/2006, Economia, p. 22

Volks, GM e Fiat liberaram tabelas para concessionárias no fim de 2005

SÃO PAULO. Os preços dos carros zero quilômetro estão até 3% mais caros neste início de ano. Enquanto comemoravam as vendas recordes no último mês de 2005 e se preparavam para entrar em férias coletivas, ainda na terceira semana de dezembro três das grandes montadoras instaladas no país repassaram para suas concessionárias tabelas com preços reajustados para vigorarem logo depois da virada do ano.

A Ford foi a única das quatro grandes montadoras que manteve seus preços inalterados.

Os preços dos modelos da Volkswagen e da General Motors (GM) estão entre os que mais subiram. Um Fox Plus com motor de 1,6 litro, da Volks, por exemplo, que em dezembro era vendido por R$R$37,8 mil, agora custa R$38,8 mil, um salto de 2,7%.

Na GM, modelos mais caros, como o Vectra, subiram 1,8%, enquanto os mais vendidos, como o Corsa Hatch, tiveram os preços reajustados em 2,4%. Assim, um Corsa com motor 1.8 atualmente não sai por menos de R$34,4 mil, enquanto um com motor 1.0 custa a partir R$30,6 mil.

Empresas continuam se valendo de venda aquecida

A Fiat foi a montadora que menos elevou seus preços, em 1,5%, no máximo. Procurados para explicar os aumentos, nenhum representante das montadoras foi encontrado, por causa das férias coletivas no setor.

Os aumentos deste início de ano, entretanto, confirmam uma estratégia já utilizada pela indústria automobilística nacional ao longo de 2005: valer-se das vendas aquecidas no mercado interno para recuperar margens de lucro.

A pretexto de repassar para os preços no varejo aumentos nos custos de insumos como borracha, aço e plásticos, no ano passado as grandes montadoras reajustaram suas tabelas em média uma vez a cada dois meses.

Isso resultou numa alta média da ordem de 7,5% nos preços dos carros novos ao longo de 2005 ¿ um aumento seis vezes maior do que a variação do IGP-M, principal índice que mede a variação de preços dos insumos industriais, que foi de 1,22%.