Título: Tapa-buracos em ritmo eleitoral
Autor: Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 10/01/2006, O País, p. 3

Após 3 anos de gestão Lula, ministro admite que obras deviam ter começado antes e tenta culpar FH

Ao acompanhar ontem o início da operação tapa-buracos, que vai custar R$440 milhões e foi lançada justamente para o ano eleitoral, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, admitiu que o serviço deveria ter começado antes, mas tentou dividir com o governo Fernando Henrique a responsabilidade pelo atraso, apesar de o governo Lula já ter completado três anos. Nascimento visitou três rodovias nos arredores de Brasília e ouviu cara a cara a reclamação de quem trafega pelas estradas esburacadas.

Perguntado sobre de quem é a culpa e se o governo federal é o responsável pelo problema, Nascimento respondeu:

- De quem deixou de fazer. Também do governo federal. Há dez anos que não se faz investimentos como se deve fazer na manutenção de rodovias. Tanto que parece estranho estar fazendo operação tapa-buraco - admitiu o ministro.

Ele negou que o empenho do governo para melhorar as estradas só agora tenha motivação eleitoral, mas admitiu ainda:

-- Não acho que tenha que parar a obra porque é ano eleitoral. Acho que deveria ter começado muito antes. Se a manutenção das rodovias tivesse ocorrido em anos anteriores, não teríamos chegado ao ponto em que chegamos.

Candidato, Wagner vistoria obra na BA

Em ritmo de campanha, o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, pré-candidato do PT a governador da Bahia, acompanha hoje Nascimento em vistoria a obras em estradas baianas.

Ontem, segundo o ministro dos Transportes, começaram a funcionar 120 das 600 frentes de trabalho em 24 estados e no Distrito Federal. Só o Acre e o Amapá não serão beneficiados.

A previsão é que o trabalho dure seis meses e ponha fim, pelo menos provisoriamente, aos buracos em 26,5 mil quilômetros de estradas. Serão empregadas 70 mil pessoas. O investimento é de R$440 milhões. Não houve licitação para a contratação dos serviços em 7,4 mil quilômetros.

Remendos não devem durar 1 ano

Nascimento admitiu que os remendos poderão durar menos de um ano, mas afirmou que o serviço de manutenção será feito para evitar a volta do problema:

- Esse buraco aqui que está sendo tapado não significa que ele vai durar um ano. Pode durar um pouco mais, um pouco menos. Esse trabalho de manutenção, que não foi feito ao longo dos anos, é que deveria ter sido feito. Infelizmente destruíram patrimônio.

Em Águas Lindas de Goiás (GO), o ministro ouviu reclamações de um morador:

- Moro aqui e já perdi quatro pneus. Isso é uma palhaçada. Chegam aqui e fazem esse serviço porco e lambuzado e vão embora. Olha que serviço porco: quando chover, vai tudo embora - disse em entrevista à rádio CBN o auxiliar de escritório da administração regional de Ceilândia Rene Pereira Lima, de 23 anos.

Nascimento limitou-se a dizer que o problema agora será resolvido. Depois, em outro momento, negou que o serviço seja um mero paliativo nem que esteja fazendo festa em torno da operação tapa-buracos:

- Isso não é um serviço paliativo. Não estou fazendo festa. Estou fazendo uma coisa diferente. Essa é a maior operação de prevenção que se faz na história do ministério, pelo menos que eu tenha conhecimento. E por que está sendo feito agora? Porque estragou demais - disse.

Legenda da foto: O MINISTRO Alfredo Nascimento (à esquerda) vistoria o início das obras na BR-040