Título: BACELLAR SERÁ ENTERRADO AMANHÃ
Autor: Eliane Oliveira/Luiza Damé
Fonte: O Globo, 10/01/2006, O Mundo, p. 24

Militar é homenageado em cerimônia fúnebre em Porto Príncipe

PORTO PRÍNCIPE. O corpo do general Urano Teixeira da Matta Bacellar, achado morto no sábado no hotel onde vivia em Porto Príncipe, chegará ao Brasil hoje pela manhã. O enterro está previsto para ser realizado amanhã, no Rio de Janeiro. Um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) decolaria de Porto Príncipe na noite de ontem trazendo o caixão.

Antes do traslado do corpo, o general, que comandava as tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, foi homenageado no hospital militar argentino no país. A morte de Bacellar "não mudará a determinação da ONU de devolver a paz e a segurança" ao país, afirmou, durante a cerimônia, o chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas do Haiti (Minustah), o embaixador chileno Juan Gabriel Valdés.

Além de Valdés, participaram da homenagem fúnebre o embaixador brasileiro no Haiti, Paulo Cordeiro, o substituto temporário de Bacellar frente às tropas, o general chileno Eduardo Aldunate Herman, e o ministro de Assuntos Exteriores do Haiti, Herad Abraham, entre outras autoridades. Um capelão brasileiro também esteve presente, bem como representantes de todos os países envolvidos na missão.

Valdés expressou suas condolências em nome do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao governo brasileiro, à família do militar e às tropas do país no Haiti.

- A todos os brasileiros gostaria de dizer que compartilho seu pesar e sua dor, e que a Minustah seguirá cumprindo o mandato que lhe foi atribuído pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com o compromisso que a comunidade internacional assumiu com o país - disse o embaixador. - Continuaremos trabalhando pelo futuro dos haitianos e para acabar com a violência no país.

O embaixador brasileiro também discursou na cerimônia, que começou às 7h15m da manhã (horário local).

- (O general) era um homem sensível, um homem que acreditava na liderança de suas tropas. Em nome do governo brasileiro, quero expressar nosso profundo agradecimento por seu sacrifício - disse Cordeiro.

O general Aldunate, o primeiro a discursar, também assegurou que a "trágica morte" de seu superior não interferirá na missão.

- Continuaremos o trabalho pela paz, pela democracia e pelo respeito aos direitos humanos no Haiti - afirmou.