Título: Nucleos entra com ação indenizatória contra três ex-dirigentes do fundo
Autor: Ana Cristina Campos/Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 11/01/2006, O País, p. 4

Acusação é de que antiga diretoria causou prejuízos de R$36,8 milhões

SÃO PAULO e RIO. A direção do Nucleos, o fundo de pensão dos funcionários das estatais Eletronuclear, INB e Nuclep, ajuizou anteontem uma ação indenizatória contra três ex-dirigentes da entidade acusados de causar perdas de R$36,8 milhões ao fundo. Entre eles estão o ex-presidente do Nucleos e da Eletronuclear Paulo Roberto Almeida Figueiredo e o ex-diretor financeiro Gildásio Amado Filho, ligado a Marcelo Sereno, ex-assessor da Casa Civil e ex-secretário de Comunicação do PT. O ex-diretor de benefícios Abel de Almeida também foi denunciado.

A ação, ajuizada na 22ª Vara Federal do Rio, está embasada em relatórios da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) do Ministério da Previdência e em uma auditoria da KPMG. O Nucleos acusa os ex-diretores de negócios nebulosos que causaram prejuízos de R$36,8 milhões, dos quais R$7 milhões são referentes a aplicações no Banco Santos (falido em novembro de 2004), outros R$7 milhões em transações em mercados futuros sem embasamento técnico e R$22,8 milhões na compra de títulos públicos com preços acima do valor de mercado. Os documentos serão enviados à CPI dos Correios.

Compras de títulos feitas por corretoras investigadas

Até o fim da próxima semana, a atual direção do Nucleos também deve apresentar uma denúncia-crime contra a antiga diretoria para que respondam criminalmente pelas supostas irregularidades.

Segundo o atual presidente do Nucleos, Marcos Elias, 78% das compras de títulos feitas pela direção anterior foram intermediadas pelas corretoras Euro e Qualiti, investigadas pela CPI dos Correios.

"A contumácia de compras efetuadas pelo preço máximo, representando um acréscimo que oscila entre 3% e 28% sobre o preço mínimo praticado no dia, além de vendas efetuadas pelo preço mínimo ou mesmo abaixo dele, mostra que os negócios foram conduzidos com o intuito de prejudicar o Nucleos", diz um relatório assinado pelo diretor de fiscalização da SPC, Waldemir Bargieri, no dia 7 de dezembro do ano passado.

A antiga direção do Nucleos também é acusada de participação em um negócio milionário que envolve outros sete fundos de pensão de estatais investigada pela Comissão de Valores Mobiliários: a compra da carteira imobiliária do Banerj com ágio de 162%, quando quatro pessoas físicas compraram os direitos por R$135 milhões do governo do Rio e os revenderam aos fundos por R$354 milhões.

Paulo Roberto Figueiredo, ex-presidente do Nucleos, diz que o atual presidente do fundo, Marcos Elias, foi seu assessor direto por cinco anos:

- Como ele não sabia do que acontecia no fundo? Era ele quem fazia todos os relatórios. Será que ele é muito bobinho? Tenho todas as contas da minha gestão aprovadas.

Segundo ele, o atual diretor financeiro do fundo, José Rafael de Oliveira, foi gerente de benefícios na sua gestão.

- Tínhamos CDB e debêntures no Banco Santos e não sabíamos que a instituição estava em dificuldades. Foi o atual diretor financeiro, o Rafael, que negociou o valor com o Banco Santos. Já os títulos públicos são administrados pelos bancos.

Gildásio Amado Filho, ex-diretor financeiro, e Abel de Almeida, ex-diretor de benefícios, disseram que não foram notificados oficialmente sobre a ação e não iriam se pronunciar.

COLABOROU: Ana Cristina Campos