Título: Três empresas desistem de concessões adquiridas no último leilão da ANP
Autor: Juliana Rangel
Fonte: O Globo, 12/01/2006, Economia, p. 22

Segundo uma das companhias, retorno de área não justificava investimento

Três empresas que adquiriram áreas de concessão na sétima Rodada de Licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em outubro passado, decidiram abrir mão de algumas das aquisições: a Petrolab desistiu de comprar o campo com acumulação marginal de petróleo de Gamboa, no Recôncavo; a CFoster desistiu do campo de Cidade do Pirambi, na bacia de Sergipe e Alagoas; e a Silver Marlim desistiu de três campos em terra no Espírito Santo.

De acordo com o presidente da Silver Marlim, Wagner Freire, a empresa decidiu não concluir a aquisição por uma questão de relação entre custo e benefício:

- Tratava-se de um conjunto de blocos e o que mais nos interessava foi comprado por outro grupo. Então achamos que o investimento nas três outras áreas não se justificaria - afirmou.

O executivo, no entanto, confirmou os investimentos em outros nove blocos adquiridos na rodada: cinco no Recôncavo e quatro em Sergipe e Alagoas, que deverão demandar investimentos de US$3 milhões nos próximos dois anos. O Silver Marlim também comprou o campo terrestre de Carapitanga, na Foz do Rio São Francisco, e a expectativa é de que ele comece a produzir em seis meses.

A ANP anunciou a prorrogação do prazo para que as empresas entreguem suas documentações e ratifiquem o contrato até o dia 25. De acordo com o diretor da agência John Forman, com o fato de a entrega ter coincidido com o início do ano muitas empresas tiveram dificuldade para reunir a documentação a tempo. Cerca de dez grupos ainda precisam entregar dados e certidões. No caso de desistência, o consórcio que tiver ficado em segundo lugar na disputa será informado nesta semana sobre a possibilidade de compra dos blocos.

Diretor da Agência critica política econômica

Para Haroldo Lima, economia está 'mergulhada em um marasmo'

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, filiado ao PCdoB, fez ontem duras críticas à política econômica do Brasil e disse que talvez os resultados pudessem ser melhores caso o governo adotasse metodologias diferentes na condução do país. Segundo ele, a economia está "mergulhada em um marasmo" há cerca de 20 anos.

Lima citou os índices de crescimento industrial de 2005 (3,1%) e do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto das riquezas produzidas no país), que deverá ficar em torno de 2% segundo especialistas. O diretor da agência disse ainda que o setor de petróleo poderá ter um grande papel no desenvolvimento econômico do país.

- Estamos em uma fase em que o setor de petróleo e gás tem um papel importante de alavancar o progresso e contribuir para que o desenvolvimento econômico saia deste marasmo em que se encontra há 20 anos passe a ter crescimento significativo, da ordem de 7% para frente. Talvez a continuidade desta política econômica que vem sendo adotada nos últimos anos não seja a melhor recomendação - afirmou, diante de uma platéia de executivos que participavam da assinatura de contratos de concessão de áreas de petróleo no Brasil.

O Brasil, ressaltou ele, cresceu a uma média de 7% ao ano entre o período posterior à Segunda Guerra Mundial e na década de 70:

- Não estamos mais conseguindo encontrar a vereda deste grande desempenho. (Juliana Rangel, do Globo Online)