Título: LIQUIDEZ GLOBAL LEVA RISCO-BRASIL A NOVO RECORDE
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 12/01/2006, Economia, p. 26

Índice cai para 277 pontos centesimais e Bolsa encosta em 36 mil pontos. Dólar sobe pelo segundo dia seguido

Apenas um dia após os investidores embolsarem o lucro obtido no mercado brasileiro, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e o risco-Brasil voltaram a atingir ontem os melhores níveis da História. A expectativa de crescimento econômico, a manutenção da elevada liquidez internacional, a alta nos preços das commodities e as baixas taxas de juros no exterior mantêm o desempenho positivo dos ativos, dizem os analistas. Prova disso é que a Bolsa, após recuar pouco mais de 1% nos dois últimos pregões, subiu 2,58% ontem, atingindo o recorde de 35.952 pontos. O risco-Brasil, indicador da confiança dos investidores estrangeiros no país, recuou 2,81%, para 277 pontos centesimais, um novo piso histórico. De dezembro até agora, a taxa acumula queda de 18,53%. O Global 40 valorizou-se 0,10%, cotado a 130,65% do valor de face.

Fundos de emergentes recebem US$966 milhões

Para Walter Molano, sócio do BCP Securities, banco de investimentos americano especializado em América Latina, 2006 deve ter desempenho similar ao registrado no ano passado, quando os indicadores brasileiros quebraram vários recordes. Em relatório enviado ontem a clientes, Molano lista Brasil, Argentina e Rússia como suas maiores recomendações de investimento para 2006. Para ele, apesar do ano eleitoral, o Brasil deve crescer fortemente (5,3%), o que reserva boas oportunidades de ganhos para os estrangeiros, especialmente face às ainda baixas taxas de juros internacionais.

A expansão econômica deve compensar a previsão de queda dos juros no Brasil - hoje em 18% ao ano. Nos últimos meses, as taxas altas ajudaram a atrair recursos de estrangeiros para o país. Nem mesmo a inflação mais alta - ontem, as primeiras prévias do IPC-Fipe e do IGP-M mostraram uma aceleração nos preços - conseguiu mudar as projeções de um corte de 0,75 ponto na taxa básica Selic na semana que vem, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo levantamento realizado pela consultoria americana EmergingPortfolio.com, os fundos que aplicam em ações de empresas de mercados emergentes receberam o equivalente a US$966,6 milhões na semana passada. Foi a nona semana consecutiva de captação positiva. No ano passado, esses fundos atraíram US$20,3 bilhões, um recorde histórico.

Já os fundos que aplicam em títulos de países emergentes captaram US$111,5 milhões, o melhor resultado numa semana desde novembro do ano passado. Segundo Brad Durham, diretor da consultoria, os emergentes prometem repetir em 2006 o forte desempenho registrado na segunda metade de 2005: os estrangeiros estão apostando em aplicações de maior risco devido à expectativa de que o ciclo de elevação dos juros americanos está próximo do fim. A consultoria acompanha cerca de dez mil fundos globais, com mais de US$5 trilhões em ativos.

Ontem o dólar subiu pelo segundo dia seguido: 0,97%, para R$2,284, a máxima do dia, depois de dois leilões do Banco Central - que comprou dólares à vista por até R$2,277 e ainda movimentou US$416 milhões no mercado futuro de câmbio. Segundo Carlos Carvalho Junior, sócio da Saga Investimentos, após cinco quedas, a moeda passa por uma acomodação de preços e não há ainda mudança na tendência de queda. Hoje o BC faz novo leilão no mercado futuro, com valor aproximado de US$400 milhões.

inclui quadro: confira os indicadores