Título: SHARON DEVERÁ FICAR MESES INTERNADO
Autor:
Fonte: O Globo, 12/01/2006, O Mundo, p. 29
Médicos alertam israelenses para não serem muito otimistas. Kadima lidera pesquisas para eleições
JERUSALÉM. Médicos que cuidam do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, advertiram os israelenses ontem para não serem muito otimistas quanto às suas chances de recuperação. A equipe do Hospital Hadassah, em Jerusalém, disse que, embora o premier tenha apresentado uma leve melhora, seu estado continua crítico. Sharon, que sofreu um grave derrame há uma semana, pode ficar internado durante meses.
- Não pensem em termos de dias ou semanas - disse o neurocirurgião argentino José Cohen, que, ao ser perguntado se isso significaria meses, respondeu: - Sim, sim, meses.
Embora um membro da equipe médica tenha dito na terça-feira que o primeiro-ministro não corria risco imediato, ontem outros integrantes criticaram a declaração, dizendo ter sido muito otimista. Para o diretor do hospital, Shlomo Mor-Yosef, a situação é imprevisível.
- O primeiro-ministro pode morrer esta noite. O primeiro-ministro pode voltar à vida normal, relativamente normal, em seis meses... Não podemos prever como será amanhã.
O nível de sedação do premier, de 77 anos, vem sendo reduzido gradualmente. Os médicos deveriam remover os anestésicos restantes ontem, mas um boletim no fim da tarde informou que ele "ainda necessita de uma dose muito baixa de sedativos". Uma fonte contou que os sedativos devem ser suspensos hoje e que Sharon levaria de 36 a 48 horas para se livrar dos efeitos. Pode demorar dias até que os médicos consigam avaliar a extensão dos danos.
Depois de Mozart, sons de guerra para ex-general
Durante os testes motores, Sharon reagiu com movimentos um pouco mais fortes ontem, embora a perna esquerda ainda não responda a estímulos. Além de pedir que os filhos falem com ele e de colocar músicas de Mozart em seu quarto, o hospital estuda agora usar sons de guerra para estimular os sentidos do ex-general, informou o jornal "Yediot Aharonot".
- Os médicos pedem que a família o faça escutar qualquer som que possa despertar seus sentidos e fazê-lo reagir - disse uma fonte médica.
Enquanto isso, o partido que Sharon fundou recentemente, o Kadima, contraria previsões iniciais de que a doença do premier o abalaria. Pesquisas de opinião dos jornais "Ha'aretz" e "Ma'ariv" mostraram ontem que o Kadima - liderado pelo premier interino, Ehud Olmert - conquistaria 44 ou 45 cadeiras no Parlamento nas eleições de 28 de março, mesmo sem a participação de Sharon. Os trabalhistas ficariam com 16 a 18, e o Likud, com 13 a 15.
O Kadima estuda colocar o nome de Sharon no topo da lista partidária num gesto simbólico. Mas analistas acreditam que isso pode ser interpretado como oportunismo.
Ontem, a TV israelense disse que os ministros do Likud deixarão hoje o governo de coalizão liderado por Olmert.