Título: PAÍS TERÁ RAIO-X CONTRA GRIPE AVIÁRIA
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 14/01/2006, Economia, p. 25
Máquinas ficarão em aeroportos. Possível pandemia pode custar US$1,4 bi
BRASÍLIA e WASHINGTON. O governo vai reforçar as ações de prevenção contra a gripe aviária no país. O Ministério da Agricultura já comprou cinco aparelhos de raio-X, três para serem instalados no aeroporto de Guarulhos e dois para o Internacional Antonio Carlos Jobim/Galeão. O equipamento será usado para detectar matéria orgânica nas bagagens dos passageiros de vôos internacionais. Se houver, a matéria orgânica será incinerada.
Segundo a coordenadora-geral substituta da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do ministério, Rogéria Oliveira Conceição, Guarulhos responde por 66% do trânsito internacional de passageiros no país e o Galeão, por 20%. Conceição afirmou que a maior preocupação do governo em relação à gripe aviária é com o transporte de passageiros.
A análise das bagagens não será feita para quem estiver viajando para outros países. As máquinas também não fiscalizarão o transporte de cargas, que já possui um esquema próprio de checagem.
A coordenadora explicou que sempre que uma carga com produtos agropecuários chega em aeroportos brasileiros, o Vigiagro é acionado para examiná-la. Os equipamentos devem serem entregues ao Ministério da Agricultura em até 60 dias.
O custo global de uma possível pandemia de gripe de aves ficará entre US$1,2 bilhão e US$1,4 bilhão, informou ontem o Banco Mundial (Bird) numa estimativa a ser apresentada a doadores de verbas em Pequim, na próxima semana. Ontem, na Turquia, onde três crianças já morreram vítimas da doença e 15 pessoas estão hospitalizadas, autoridades anunciaram que investigam uma quarta morte suspeita.
Segundo o Bird, os maiores gastos ocorreriam no Sudeste da Ásia, na Europa, na Ásia central e na África. O vírus H5N1, que causa a gripe, já matou pelo menos 78 pessoas, a maioria no Sudeste da Ásia. Milhões de aves já foram abatidas em diversas partes do mundo. ¿A análise financeira é apenas um ponto de partida para os desafios que surgirão à frente para a implementação dos programas¿, disse o Bird.
(*) Com agências internacionais