Título: DÍVIDA CAMBIAL INTERNA CHEGA A ZERO
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 14/01/2006, Economia, p. 27
Analistas estimam que governo tenha extinto ontem compromissos em dólar
A dívida pública interna vinculada à taxa de câmbio, que já foi de US$77,3 bilhões no fim de 2001, chegou a zero ontem, após um novo leilão de swaps cambiais reversos (que são, na prática, uma compra de dólares no mercado futuro de câmbio) e nova operação de compra de moeda à vista, calculam analistas de mercado, como Ronaldo Guimarães, sócio da Cenário Investimentos. Desde novembro do ano passado, quando retomou os leilões de swap, o Banco Central já movimentou cerca de US$15,5 bilhões, por meio da oferta de mais de 280 mil títulos.
A ¿zeragem¿ da dívida significa que, para cada dólar devido, o governo tem outro dólar para honrar o débito, não ficando, portanto, exposto à variação da taxa de câmbio, como no passado. E, dizem os especialistas, no ritmo atual, em breve o governo também reduzirá a zero a dívida externa atrelada ao dólar.
¿ Se somarmos todos os títulos indexados ao dólar, vemos que o governo hoje é plenamente capaz de honrar todo seu endividamento em moeda americana. E, se considerarmos que há menos de US$20 bilhões em dívida externa atrelada a câmbio e que o BC continuará a fazer os leilões de cerca de US$400 milhões em swaps reversos e ainda comprará algo em torno de US$150 milhões no mercado à vista, em 36 dias úteis o governo quitará também seu endividamento externo ¿ calcula Carlos Olinto, analista da Mellon Global Investments.
País estaria no caminho para a melhora da nota de risco
Para outros especialistas, a redução integral da exposição cambial da dívida externa poderia ocorrer ainda mais cedo: alguns estimam em US$13 bilhões a US$15 bilhões o total do endividamento externo em dólares, o que poderia ser zerado em menos de 30 dias úteis.
¿ O governo deu mais um passo para a melhora dos indicadores de solvência, melhorando também a percepção dos estrangeiros em relação ao país ¿ diz Guimarães, da Cenário.
De acordo com dados do Bradesco, a dívida interna vinculada à taxa de câmbio era de cerca de US$65 bilhões no início do governo Lula ¿ algo em torno de 22% do total. Em novembro do ano passado, o percentual caiu para 1,95%. Para os analistas, a ¿zeragem¿ da dívida poderia gerar uma melhora na nota do Brasil pelas agências de classificação de risco internacionais, o que tende a atrair mais recursos para o país. Para as agências, o perfil da dívida é considerado importante para uma reclassificação do Brasil. (Patricia Eloy)