Título: DÓLAR REGISTROU NO BRASIL MAIOR QUEDA NA AL
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 14/01/2006, Economia, p. 27
Nos últimos 3 anos, moeda recuou 33,75% frente ao real. Em 2005 teve a 2ª maior desvalorização da história do país
O dólar acumulou, nos últimos três anos, uma queda de 33,75% em relação ao real. De acordo com levantamento realizado pela consultoria Economática, foi a maior queda entre os principais países da América Latina. O estudo levou em consideração a cotação média do dólar no período. No Chile, o dólar registrou a segunda maior perda da região: 28,90%. Na zona do euro, por exemplo, a moeda recuou 11,10% nos últimos três anos encerrados em dezembro de 2005.
No ano passado, o contínuo fluxo de recursos para o Brasil ¿ resultado do elevado saldo de exportações e da liquidez internacional ¿ fez com que o dólar comercial recuasse 12,4%. Na média, a cotação caiu 11,82% em 2005, o terceiro ano seguido de perdas para a moeda no país e a segunda maior desvalorização da história brasileira, atrás apenas de 2003, quando o dólar caiu em média 18,23%.
Para Marcelo Mesquita, diretor-executivo de Pesquisa e Estratégia para o Brasil do banco UBS, a tendência do dólar é de queda, fundamentada pelo forte saldo da balança comercial ¿ que sustenta a entrada de moeda no país ¿ pela elevada liquidez externa e pelos sólidos fundamentos da economia brasileira.
Em 2006, dólar deve cair pelo quarto ano seguido
Ele estima que, apesar da volatilidade inerente ao mercado num ano de eleições, o dólar encerrará 2006 próximo dos R$2,30, ou seja, sem grandes saltos em relação à cotação atual (R$2,276) e em queda em relação a 2005 ¿ a moeda valia R$2,325 no último dia de negócios de 2005. Para o risco-Brasil, a projeção é de fique em 250 pontos centesimais em dezembro.
¿ Com a queda do risco-Brasil, o país se torna ainda mais atrativo para os investidores internacionais, que vendem dólares no mercado para aplicar, em reais, na Bolsa e em juros. Apesar de esperarmos uma queda na taxa básica Selic este ano, o juro real, hoje em cerca de 13% ao ano, não deve chegar a dezembro num patamar inferior a 8%, o que ainda garante aos estrangeiros o dobro da rentabilidade que têm nos mercados internacionais ¿ avalia Mesquita.
Para os economistas do CSFB, as projeções são de um dólar de cerca de R$2,30 até o fim do ano. Sandra Utsumi, economista-chefe do BES, estima uma cotação ainda mais baixa: R$2,25 no fim de 2006.
¿ Com um risco na casa dos 250 pontos, que é nossa previsão para fim de ano, e a perspectiva de crescimento maior em 2006, o dólar deve manter-se em baixa. As empresas podem aproveitar o cenário externo tranqüilo para captar recursos no mercado internacional a taxas bastante baixas ¿ acredita Utsumi.
Saldo externo na Bolsa fica positivo em R$771 milhões
Ontem, o Banco do Brasil lançou uma captação externa de US$300 milhões em títulos perpétuos (sem vencimento). Estima-se que a demanda teria chegado a US$2 bilhões. Apesar disso, o dólar encerrou os negócios em alta de 0,49%, a R$2,276. O feriado de Martin Luther King nos EUA, na segunda-feira, reduziu os negócios e, em meio a duas novas atuações do Banco Central (BC), a moeda subiu. A autoridade monetária comprou moeda à vista por R$2,268 e movimentou US$406,5 milhões no mercado futuro.
O risco-Brasil recuou 0,35% e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,33%. O saldo de investimento estrangeiro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou positivo em R$771 milhões nos primeiros dez dias no mês. No mesmo período do mês passado, o balanço havia ficado no azul em R$508 milhões.