Título: PENHOR DE JÓIAS DA CAIXA REGISTROU AUMENTO DE 23% NO SALDO EM 2005
Autor: Vagner Ricardo
Fonte: O Globo, 16/01/2006, Economia, p. 20

Juros da modalidade de crédito estão entre os mais baixos do mercado

Em tempos em que o crédito consignado ocupa o centro das atenções do mercado, o penhor de jóias da Caixa Econômica Federal amplia sua participação. Em 2005, o saldo da carteira de penhor da instituição atingiu R$754 milhões, 23% mais que em 2004 (R$610 milhões). Foram mais de 7,8 milhões de operações no ano passado. Este ano, segundo Sérgio Netto Amândio, gerente nacional de microfinanças e penhor da Caixa, a perspectiva é de que o saldo cresça de 18% a 20%. Até porque mais agências oferecerão o serviço. A meta é implantar unidades de penhor em 80 agências, resultando num total de 457 estabelecimentos.

Taxas de juros mais baixas e contratação simples são os principais pontos que contam a favor do sistema. Depois do microcrédito, que tem juros de 2% ao mês, e do crédito consignado, na faixa média de 2,9%, o penhor é a terceira modalidade mais barata, com taxa máxima mensal de 3,25% atualmente, lembra o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. Contudo, ele ressalta que juros cobrados poderiam ser ainda menores, tendo em vista o baixo risco da operação.

- Como o empréstimo equivale a 80% do valor real da avaliação das jóias, o que reduz o risco da operação financeira, o juro também deveria ser mais baixo, até porque existe uma garantia real, a própria jóia- afirma.

Os juros variam de 2,6% ao mês, para empréstimos de até R$300, a 3,25% mensais, para valores acima de R$300, com o teto do empréstimo fixado em R$50 mil. É preciso apenas levar as jóias a serem empenhadas a uma agência da Caixa e apresentar carteira de identidade e CPF para sair na hora com o dinheiro do banco.

Maioria fecha contrato com prazo de um mês

Os usuários dos empréstimos podem adotar alguns cuidados para baratear a operação. O principal é quitar o débito no vencimento. A esmagadora maioria faz contratos de um mês de vigência para receber mais dinheiro. E, se não tiver como pagar todo o empréstimo no prazo, o contrato pode ser renovado por mais um, dois, três ou quatro meses. No caso de um empréstimo de R$500 (com o desconto de encargos como juros e seguro, o valor líquido que o cliente levará será de R$480) renovado por mais um mês após o prazo inicial de vencimento, o tomador pagará R$20 para rolar a dívida.

Se o prazo máximo de 120 dias for usado, o custo subirá para R$75,35, pagos no ato da renovação. Se o valor for de R$5 mil, os gastos com juros, seguro e taxa sobem para R$190,94 na renovação do contrato por 30 dias ou para R$758,95, no vencimento em 120 dias. No fim, o tomador terá de pagar o principal do empréstimo.

Mesmo assim, comparando-se com outras modalidades de crédito, o custo é menor, mostram cálculos feitos pela Anefac. No empréstimo pessoal concedido por financeiras com vencimento em 30 dias - cujas taxas médias de juros variam de 11% a 12% ao mês - os gastos com juros subiriam para R$58,65, mais que o dobro do penhor, chegando a R$2.292, se quitado em 120 dias. No cheque especial, considerando os vencimentos de 30 e 120 dias, o tomador pagaria R$41,20 e R$1.863,11, respectivamente.

É justamente para fugir dos juros altos que muitos consumidores optam pelo penhor de jóias. É o caso da vendedora ambulante Marize Camposama Gomes, que, embora mostre alguma insatisfação com a diferença entre o valor de avaliação das jóias e o do empréstimo, reconhece que as outras alternativas são caras ou são inacessíveis para quem não tem renda certa.

Alternativa também é usada como medida de segurança

Por isso, Marize faz contratos de penhor há quase seis anos. Inicialmente, usou o sistema para quitar dívidas emergenciais, mas hoje a penhora serve também para manter as jóias protegidas.

- Como não dá mesmo para andar de jóias na cidade, por causa da insegurança, o penhor é uma saída para mantê-las protegidas dos ladrões. Além disso, é uma boa alternativa aos empréstimos bancários, que são muito caros - disse ela, que mantém as jóias a maior parte do tempo na Caixa, mesmo quando as finanças estão equilibradas.

http://oglobo.globo.com/online/economia

como funciona

DOCUMENTOS

O primeiro passo para utilizar o penhor é ir a uma agência da Caixa Econômica Federal com a jóia, levando a identidade e o CPF. É preciso ser maior de 18 anos.

AVALIAÇÃO

Na agência, um especialista avaliará as jóias. O empréstimo, contudo, será equivalente a 80% dessa avaliação. Descontados os encargos, como juros, seguro e a Tarifa de Abertura ou de Renovação de Crédito (Tarc), o valor líquido será ainda menor. Exemplo: se as jóias forem avaliadas em R$650, o empréstimo será de R$500, mas o tomador levará para casa R$480. No vencimento do contrato, você terá de devolver à Caixa os R$500.

VENCIMENTO

Se não puder quitar a dívida no vencimento, é possível renovar o contrato por 30, 60, 90 ou 120 dias, mediante novo pagamento juros, seguro e Tarc, cujo valor varia de acordo com o prazo escolhido.

LEILÃO

Após 30 dias do vencimento do contrato, as jóias cujos empréstimos não sejam liquidados podem ir a leilão.

inclui quadro: saiba mais sobre o sistema